quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

6 - A importância é...

Acabamos por nos dirigir para o sofá e permanecemos por lá deitados. Estava eu em cima do Sergio, os dois de barriga para cima, e a brincarmos com a mão um do outros.
- Em que pensas? – Perguntou o Sergio, apertando-me mais contra ele.
- Que é que te faz crer que estou a pensar em algo?
- Estás a olhar para o teto…há algum tempo – e tu estás a olhar para os meus olhos há algum tempo…
- Não estou a pensar em nada – virei-me de barriga para baixo, beijando-o.
Prolongamos aquele momento durante algum tempo…mas o Sergio acabou por o interromper:
- Vou preparar algo para jantarmos, sim? – ele levantou-se e eu aprontei-me a ajudar.
- Eu ajudo!
- Nem penses – ele fez com que eu caísse no sofá – és a minha convidada e ainda queres ajudar?
- Se aqui vou passar algum tempo…tenho de ajudar.
- Não…a não ser que queiras ir com a intenção de distrair o cozinheiro e pegar fogo à casa.
Ficamos os dois a olhar um para o outro…ele estava a tentar ser engraçado…mas ao brincar com aquilo…não deu bom resultado.
- Desculpa…eu não queria…ter dito isto – ele estava atrapalhado, mas…não tinha de ficar.
- Foi só uma piada…sem jeito – eu levantei-me e dei-lhe um beijo – queres companhia para fazer o jantar?
- Quero – ele deu-me a mão e fomos os dois para a cozinha.
Mirei tudo aquilo…o Sergio a mover-se entre o frigorífico e o fogão…um verdadeiro dono de casa. Quando ele parou pelo fogão, aproximei-me dele e agarrei-o. Coloquei as minhas mãos nos seus peitorais e comprimi-os para que o Sergio estivesse mesmo encostado a mim, mesmo que estivesse de costas.
- Lá vai ela distrair o cozinheiro – comentou ele.
- Não…ela só está a querer o cozinheiro.
Acabei por ajudá-lo na confecção do jantar e de colocar a mesa.
Tivemos um jantar super agradável e relaxado. Sem aquela sensação de que estariam mil pessoas a olhar para nós…e sermos simplesmente nós, sem qualquer constrangimento.
Depois de jantarmos, e com muita insistência minha, acabei por ser eu a lavar a loiça do jantar. Era o mínimo que poderia fazer.
Até à hora de ir “dormir”, ficamos os dois pelo quarto do Sergio a “curtir”? Estávamos numa de beijos, apalpanços, mordidelas e chupões…mas estávamos bem…até…até que aquilo que mais fizemos no fim-de-semana se teve de repetir. A vontade era imensa…e não se podia contrair mais.


(Na manhã seguinte)
Inspirei fundo antes de abrir os olhos…e aquele cheiro dele invadiu o meu corpo de uma ponta à outra…estremeci completamente e, de imediato, sorri. Foi então que ouvi o barulho de agua a correr e uma voz…nada mal cantante a cantarolar:
- Pero al despertar
Siempre desaparece
Ella cree que en mi mundo
No tiene su sitio y se arrepiente
O Sergio estava a cantar no duche. Não cantava nada mal…muito pelo contrário. Levantei-me da cama e fui até à casa de banho…a agua escorria-lhe pelo corpo todo, deixando algumas gotículas salientes. Antes de dar numa de invasora de banho…deixei que a melodia continuasse - Piensa que yo podré vivir sin sus besos
Que con sus años hay cosas
Que no pueden ser y no lo entiendo.
Miro adentro y busco el recuerdo
De su cuerpo fundido en mi cuerpo y aún... - Pablo Alborán - En Los Brazos De Ella
O Sergio estava a cantar…bem. Ele canta bem. Toda aquela cena me deixou com mais vontade de me meter no banho com ele. O vapor do quente da água, embaciou o espelho e as portas do poliban...que abri devagar para que ele não se apercebesse.
Rodeei-o com os meus braços e ele calou-se.
- Porque paraste? – Comecei a dar-lhe pequenos beijos pelas suas costas, ao mesmo tempo que ele agarrou nas minhas mãos, retirando-as do seu corpo e virou-se para mim, voltando a colocar as minhas mãos no seu corpo, mas desta vez nas suas costas.
- Estavas a dormir tão bem – também ele colocou as suas mãos no fundo das minhas costas.
- Comecei a ouvir-te cantar…e decidi vir ter contigo. Mas…podes continuar a cantar…eu estava a adorar.
- Não me parece…
- Vá lá!
- Cantas comigo?
- Eu não sei cantar…
- Eu também não. Isso não é desculpa.
- Tudo bem… - o Sergio…como que aclarou a voz e começou:
- Enséñame a rozarte lento,
Quiero aprender a quererte, de nuevo,
Susurrarte al oído, que puedo.

Si quieres te dejo un minuto,
Pensarte mis besos, mi cuerpo, y mi fuego,
Que yo espero si tardas, porque creo que te debo, mucho.

Ahora, que me he quedado solo,
Veo que te debo tanto y lo siento tanto,
Ahora, no aguantaré sin ti, no hay forma de seguir,
Así...
-
 percebi de que música se tratava: Pablo Alborán – Tanto. 
O Sergio beijou-me e encostou-me à parede fria…o choque térmico fez-se sentir…mas depressa passou. Ele olhou-me, sorriu…
- Sabes o resto?
Assenti afirmativamente com a cabeça, escondi a minha cara no seu peito e comecei a cantar…eu adoro cantar, mas não com pessoas a verem…e muito menos nesta situação:
- Vamos a jugar a escondernos,
Besarnos si de pronto nos vemos,
Desnúdame, y ya luego veremos,
Vamos a robarle el tiempo al tiempo.

Por mucho que aprieto tus manos,
Me cuesta creer que aún no te hayas marchado,
Me fundiré en tus labios,
Como se funden mis dedos en el piano.

Ahora, que me he quedado solo,
Veo que te debo tanto y lo siento tanto,
Ahora, no aguantaré sin ti, no hay forma de seguir,
Así...
o Sergio afastou o meu corpo do dele, para me olhar…de imediato parei de cantar.
Ele riu-se e deu-me um beijo no nariz, para de seguida tomar os meus lábios de assalto.
Acabamos por tornar aquele banho musical, em algo que já era hábito em nós. Amamo-nos como dois loucos apaixonados…apaixonados? Eu não acabei de dizer…ou pensar que estou apaixonada. Não!
Saímos os dois do duche enrolados em toalhas e voltamos para o quarto.
Enquanto o Sergio já andava a procurar roupa pelo seu armário…eu fiquei sentada na cama.
- Tens treino hoje? - Perguntei-lhe.
- Sim. Daqui a pouco mais de 40 minutos. Queres vir?
- Não! – ele espreitou pela porta do roupeiro.
- Porque?
- Porque vai lá estar a imprensa espanhola toda!
- Aí é que te enganas! É à porta fechada!
- Mais uma razão…se é à porta fechada…não deve ir ninguém – ele aproximou-se…e vê-lo, com aquela toalhita enrolada à cintura…deixou-me com uns pensamentos menos…menos nada! Tinha-os a toda a hora desde que…que…tivemos a nossa primeira vez.
- Não serás a única rapariga por lá…as mulheres dos meus colegas também costumam ir… - disse sentando-se a meu lado.
- Mas eu não sou mulher de ninguém de lá…esqueces-te disso?
- Ai…não sejas parva! Vem comigo tonta!
- Ei! É mesmo necessário que me chames esses nomes todos?
- São ditos de forma carinhosa princesita – ele deu-me um beijo e ficou a olhar para mim ­– vens?
- Posso dizer que não e ficar aqui por casa?
- Podes…mas eu não deixo.
-Tenho de dizer que sim?
- Exacto…vamos a despachar – ele voltou a entrar no seu roupeiro e eu fui até à minha mala retirar uma roupa para vestir – depois podes por as tuas coisas aqui. Há espaço suficiente.
Por a minha roupa no closet do Sergio…ai que isto tá bonito, tá!
Escolhi a roupa que queria vestir…mas uma vez, quente.



Depois do Sergio estar despachado, fomos até ao andar debaixo. Ainda comi uma maça antes de sairmos de casa…o Sergio não podia ir de barriga cheia para o treino.
Assim que chegamos ao centro de treinos do Real, o Sergio estacionou o carro dele e saímos dele indo para o interior, onde estava muito mais quentinho.
Assim que chegamos…ao que parecia ser a sala de convívio, estavam lá quase todos os jogadores do Real…bem como algumas mulheres dos mesmos.
- Buenos dias – disse o Sergio e um “buenos dias” colectivo se ouviu.
O IkerCasillas, levantou-se do sítio onde estava e veio na nossa direcção.
- Antes que comeces… - começou o Sergio por dizer, entrelaçando a sua mão com a minha.


Senti-me a ficar corada…muito corada. Mas não me importei com o que o Sergio estava a fazer…não sei…mas desde que estava com ele que fazia primeiro as coisas e só depois pensava nas consequências.
- É a Ana.
Vi que o Iker ficou super…à vontade. Deu um passou bem ao Sergio e cumprimentou-me com dois beijinhos na cara.
- Ana…é o Iker…óbvio que sabes quem ele é.
- Muito gosto – disse ele.
- Igualmente.
- Vamos andado? – perguntou o Iker ao Sergio.
­- Já te apanho pelo caminho.
O Iker começou a ir com mais uns colegas para o balneário e o Sergio colocou-se à minha frente.
- Usa os teus dons de jornalista para começares a falar com as meninas – e deu-me um beijo…ali? Ontem foi no meio da rua…hoje no meio de tudo o que era jogador do Real e respectivas mulheres…
- E deixas-me com esta bomba na mão?
- Sei que vais fazer com ela o melhor que sabes…agora – deu-me mais um beijo ­– tenho de ir.
- Bom treino.
- Já nos vemos.
O Sergio começou a caminhar de costas…continuando a olhar para mim e sem me largar a mão. Quando eu não me mexi e o meu braço já não esticava mais ele soltou-me e começou a correr pelo corredor.
Comecei a sentir-me à nora e sem saber o que fazer…mas uma pessoa muito conhecida e querida minha começou a aproximar-se de mim. A Sara Carbonero. A namorada do Iker…jornalista desportiva, como eu…era.
- Hola chica.
- Hola.
- Eu sou a Sara, podes ficar à vontade comigo.
- Obrigada, eu sou a Ana.
Ficamos as duas a conversar…sobre as nossas profissões. Nada de meter o Iker ou o Sergio ao barulho, simplesmente a partilharmos momentos que já tínhamos passado.
Acabamos por nos dirigirmos as duas para um dos bancos de suplentes do relvado. Éramos apenas cinco raparigas que ali estávamos, pelo que nos foi autorizado a estar naquele banco, uma vez que não era o que estava a ser utilizado para o treino.
- Posso fazer-te uma pergunta? – Falou a Sara.
- Claro. Diz.
- O que é que tens com o Sergio?
- Fala a Sara namorada do Iker, ou a Sara jornalista?
- A Sara namorada do Iker, possível tua amiga e amiga do Sergio.
- Sinceramente não sei…estivemos o fim-de-semana juntos, como foi noticia…eu acabei por voltar a Lisboa no Domingo à noite, mas ontem voltei para cá, depois de ter a tal reunião com o meu chefe – já lhe tinha falado desse pormenor - mas…o que eu e ele temos… - fixei o meu olhar no Sergio que fazia exercícios com a bola ­– é forte…mas não tem descrição possível…não existe uma palavra que o defina. Estamos juntos, mas não somos namorados.
- Ele gosta de ti – a Sara falou, fazendo com que o meu corpo se petrifica-se…olhei-a e ela sorriu-me – o Sergio nunca falou tanto numa rapariga ao Iker, como falou de ti.
Por esta é que eu não esperava…quer dizer…o Iker era o fiel confidente do Sergio e para lhe falar de mim…seria eu assim tão…importante para ele?
Ele também é muito importante para mim…mas daí a conseguir assumir algo com ele…vai um passo de gigante.