domingo, 2 de junho de 2013

30 - "Eu quero fama! Quero ser o centro de tudo e de todos!"

- Pela primeira vez na história do programa, temos connosco um jogador do Real Madrid connosco, no activo. Connosco: Sergio Ramos! - o apresentador anunciou a entrado do Sergio, que, como sempre estava sorridente. Cumprimentou o apresentador e sentaram-se os dois - antes de começar-mos é muito importante agradecer ao Sergio por aqui estar e ao Real Madrid por nos ter cedido um dos seus jogadores - o publico bateu palmas e o Sergio agradeceu - primeira grande pergunta: como...está...tudo? - o apresentador fez a pergunta de forma pausada.
- Tudo...está...muito...bem - o Sergio respondeu da mesma maneira o que fez com que ele e o apresentador soltassem uma gargalhada, bem como o público. Eu aproveitei e tirei uma foto:

Já te estamos a ver papá! @SergioRamos
- É a verdade?
- Sim. Pode ter sido uma época complicada para o Real, mas a níveis pessoais nem foi a pior época que fiz. Acho que funcionámos bem como equipa e o que nos faltou foi mesmo os resultados mais positivos. Sinto que evolui. A braçadeira de capitão exige mais responsabilidades e mais concentração durante o jogo, por isso acho que me tornei uma pessoa mais ponderada ao longo da época.
- Isso reflecte-se na vida pessoal?
- Bem...eu sou uma pessoa mais pacata em casa. Gosto de estar no meu canto, a ouvir boa música e aproveitar as pequenas coisas que a vida me tem a dar. Mas pode reflectir-se um pouco, sim...há coisas com as quais tenho de lidar que têm de ser levadas com calma.
- Tornou-se público à duas semanas que vai ser pai... Parabéns. 
- Obrigado - o público bateu palmas. O Sergio continuava a olhar para o apresentador, mas vi na face dele o orgulho que tinha em ouvir aquilo.


- Como foi quando recebeu essa notícia?
- Foi um momento que recordarei eternamente. A Ana andava extremamente mal disposta, com os sintomas de uma gravidez, mas quando fez o teste deu negativo...continuou mais uns tempos assim, até que a levei ao hospital e descobrimos. 
- Está de quanto tempo?
- 16 semanas. 
- Também foi muito público o que se passou entre vocês. Como é que está a vossa relação?
- Tivemos os nossos baixos mas agora estamos num alto que se vai prolongar até ao nascimento do nosso filho. E, a partir é viver uma vida a três. Dia-a-dia ver o desenvolvimento da nossa família. Aprendemos a viver um dia de cada vez e a aproveitá-lo ao máximo. É isso que fazemos e que iremos continuar a fazer. 
- Já sabem o sexo do bebé?
- Ainda só a família mais chegada é que sabe...mas penso que a Ana não terá problema em que se saiba. É um menino.
- Um reforço para o Real Madrid, portanto...
- É óbvio que o deixarei fazer da vida dele o que quiser, mas terá sempre uma bola ao pé dele...mas já começou a demonstrar isso na barriga da mãe - estou completamente derretida com as respostas do Sergio. A falar do nosso filho, a cara dele transforma-se. Ele transforma-se. Ele ama crianças...vi isso pela primeira vez quando esteve com a sobrinha, mas agora, que tem o bebé dele a caminho...está a demonstrar ser o pai que sempre pensei que pudesse vir a ser. 
O resto da entrevista levou outro rumo. Falaram da mudança de visual dele, dos hábitos rotineiros do Sergio, da sobrinha Daniela, do momento caricato do penalti que foi à lua e ainda de outro momento: a queda da taça do Rei. O Sergio esteve sempre sorridente, super à vontade e deixou-me super orgulhosa.




17:30h
Passei o dia quase todo só com o bebé. O Sergio, depois da entrevista ficou por lá nos estúdios para fazer uma aparência no fim. Ouvi o barulho das chaves na sala. Peguei na minha taça de iogurte com bolachas e fui até à sala. Era o Sergio. 
- Amor... - ele veio na minha direcção e beijou-me. 


- Foi tão bonita a entrevista. 
- Gostaste? - perguntou ele, sempre duvidoso do que tinha feito. 
- É mais que óbvio que gostei. 
- Toma! - ele entregou-me o peluche da formiga e sentámo-nos os dois no sofá - importaste-te que tivesse dito que era um menino?
- Não amor. Porque haveria de me importar?
- Estás tão calminha...
- Como é que querias que tivesse?
- Não sei. Mas estás mesmo muito calma. 
- Estou a precisar de miminho...só isso.
- Miminho?
- É o que dá ter o suporte de mimos longe durante horas. 
- Onde é que esse foi?
- Foi falar do bebé e dele para a televisão.
- E volta?
- Parece que sim...mas está a demorar em dar mimo a quem precisa - ele puxou-me para ele, deu-me um beijo e acariciou-me a barriga - sabias que...é complicado ficar longe de ti?
- É?
- Muito! O menino não pára de mexer, está sempre irrequieto, eu fico com um humor que ninguém aguenta e depois quando chegas é isto.
- Esta parte é a melhor, não?
- Sem dúvida. 
Ficamos por ali na sala a receber miminho do pai enquanto ele ia recebendo algumas chamadas e mensagens a felicitá-lo pela entrevista, bem como pela gravidez. 
- Este telemóvel hoje não pára! Daqui a nada mando-o contra a parede! - reclamou ele, quando começou a dar sinal de chamada outra vez. 
- Se não quiseres não atendes, mas se te estão a telefonar é bom sinal. 
- Talvez...não tenho este número na lista de contactos. 
- Nem conheces o número? 
- Não. 
- Mas atende, pode ser alguém que conheças. 
- Estou? - disse ele depois de atender a chamada - quem fala?
Vi a expressão do Sergio mudar, levantou-se e ficou simplesmente a olhar para mim. 

Sergio:
- Estou? Quem fala?
"- Hola Sergio." - a...P-Pilar? Levantei-me...não queria que a Ana se apercebesse, mas era impossível. Ela olhou logo para mim. Neste momento não era do que estávamos a precisar. Ela e o bebé precisam de um ambiente tranquilo...não de uma psicopata atrás.
- Que é que queres?
"- Um pedido de desculpas."
- Hã?
"- Sim. Sofri a maior das vergonhas por tua causa. E daquela rapariguinha."
- Não metas a Ana no meio disto tudo. Sabes perfeitamente que a única que arranjou problemas aqui foste tu - a Ana levantou-se, vindo ter comigo. 
"- Essa pode estar descansada que não a irei incomodar...directamente. Estava a referir-me à Miranda...esta rapariga que tenho à minha frente, com os dois filhos do Xabi."
- Pilar...o que é que estás a fazer!? 
"- Nada. Encontrei-os por acaso aqui no parque. Mas não stresses. Se me prometeres um pedido de desculpas público eu garanto-te que não farei mal a ninguém."
- Porque?
"- Porque o que?"
- Porque é que estás a fazer isto?
"- Ainda não percebeste? Eu quero fama! Quero ser o centro de tudo e de todos! E quero-o a todo o custo!"
- Tu não estás bem...

Ana: 
Não era da Pilar que mais precisava agora...e a cara com que o Sergio estava assustou-me muito. Ele dava-lhe conversa, mas pegou no meu telemóvel, escrevendo algo nele para depois me entregar. 

"Telefona à Miranda e pergunta-lhe onde é que ela está!"

Afastei-me um pouco dele e telefonei à Miro. Depois de três bips ela atendeu. 
"- Hola guapa!"
- Hola cariño. Como estás?
"- Está tudo bem e vocês? Derreteram com aquela entrevista?"
- É óbvio né? Olha amor...onde é que estás?
"- Estou em casa com o Xabi e os meninos porque?"
- Por nada. Se estivesses aqui perto ia ter contigo. 
"- Não...mas passa-se alguma coisa?"
- Não, está tudo bem.
"- Ainda bem."

Sergio:
A Ana falou com a Miranda, enquanto que eu continuei a dar conversa à Pilar. Ela dizia coisas sem nexo nenhum. Ora falava de uma coisa, ora partia para outra. 
Quando a Ana terminou a chamada, veio ter comigo e mostrou-me o telemóvel. 

"A Miranda está em casa com o Xabi e os meninos."

- Ela está louca... - falei, para a Ana. No mesmo minuto ouvi do outro lado alguém chama pela Pilar. 
Ela começou aos gritos, gritos de desespero, mas ao mesmo tempo de loucura. 
"- Estou sim? Quem fala?" - uma voz de senhora ouviu-se do outro lado. Uma voz mais velha. 
- Pode explicar-me o que se passa?
"- A menina Pilar deve ter conseguido arranjar o telefone. Daqui fala do Centro Psiquiátrico de Malloca."
- Centro Psiquiátrico?
"- Sim...mas quem fala?"
- Sergio Ramos. 
"- Sei bem quem é. Eu peço desculpa em nome do Centro, mas não tivemos como controlar a menina. Ela está muito perturbada depois da sua entrevista."
- Ela está internada à quanto tempo?
"- Há cerca de três semanas. Os pais da meninas vieram traze-la."
- E...como está o bebé dela?
"- Está a crescer, mas temos muito medo. A medicação que a Pilar está a fazer é mais fraca por causa da filha dela. Só daqui a três semanas, quando a menina nascer é que podemos começar com o tratamento mais forte."
- Ela vai ter a criança?
"- Vai sim menino. Mas os pais dela já nos disseram que vão dar a criança para a adopção. Não conseguem ficar com ela e preferem lidar com a filha do que com a filha e a neta."
- Adopção?
"- Sim menino. Olhe, se pretender mais alguma informação ligue mais tarde ou então venha até nós. Agora temos de ir cuidar da Pilar. Passe bem e muitas felicidades para si e para a sua família."
- Muito obrigado. 

Ana:
Não estava a perceber quase nada da conversa, mas sabia que o Sergio estava bastante perturbado com o que ia ouvindo. 
Ele desligou a chamada, sentando-se no sofá. Eu sentei-me ao lado dele e abracei-lo. 


- Que é que se passa Sergio? 
- É a Pilar...
- O que é que ela quer?
- Nada...ela está internada. 
- Internada?
- Sim. Ela está com algum problema psíquico. Provavelmente já estava quando fez o que fez. 
- Vais ver que ela vai ficar bem amor...não fiques assim. 
- Eu não estou assim por ela. Por mim está tudo bem desde que não venha para cima de nós. 
- Então...que se passa?
- Daqui a três semanas vai nascer a bebé dela. 
- Ela foi com a gravidez em frente?
- Foi. Os médicos estão preocupados com ela porque a medicação é fraca por causa da bebé. 
- É normal...grávida não pode ter aqueles tratamentos fortes...mas vais ver que a bebé nasce bem e que os pais dela a vão ajudar muito. 
- Não. Quer dizer...sim. Os pais dela vão ajudá-la a ela, Pilar. Mas vão dar a bebé para a adopção. 
- Vão?!
- Sim...por um lado entendo-os, mas é uma bebé. 
- A quem lhe vão tirar uma família...
- Vai crescer sabe-se lá onde, com sabe-se lá quem. Pode ter uma família, mas olha se não tiver...
- Vai ficar a viver num orfanato. Como...eu - poderia perguntar-me porque é que fazem isto a uma criança, mas tenho de ver pela perspectiva de que a filha do casal também não está bem e será sempre ela que lhes irá dar algum problema. Mas...aquela criança. Crescer num ambiente tão desagradável como um orfanato. Não que a pudessem tratar mal, mas...o mais importante é ter um ambiente que seja familiar, uma figura feminina que seja mãe, um masculino que seja o pai...não num sitio onde, por mais pessoas e crianças que tenhas a teu lado, te sentirás sempre sozinha. 
- Sei que entendes o que quero dizer...mas não poderemos fazer nada. Eles querem-no fazer. 
- E...Sergio...e se falássemos com os pais da Pilar? Podíamos perfeitamente tomar conta da meninas até eles recuperarem a Pilar. 
- O que Ana?
- Sim...vamos ter com eles e falamos como adultos racionais que somos. Explico-lhes que podemos muito bem tomar contar da menina e quando se sentirem prontos para a receber nós entregamo-la. 
- E se eles não quiserem?
- Não sei Sergio...o que não há por aí são casais que não podem ter filhos e que querem uma criança com eles. Mas...eu acho que os primeiros dias de vida daquela criança não podem ser passados num orfanato ou uma instituição.
- Depois de tudo o que aconteceu não sei...
- Eu também não sei. Sei que também sou mãe e que amo o meu bebé mais que tudo nesta vida. E sei que, apesar do que nos aconteça a nós, ele vai ter um sitio para onde ir quando nascer. E a menina da Pilar...não sabe quem é o pai e terá a mãe num estado em que não a vai puder ajudar. Se os pais da Pilar quiserem...nós podemos ficar com ela. 
- Tu és...tão perfeita. 
- Sou mãe...e estou a senti-lo cada vez mais. O nosso filho pode ainda não ter nascido, mas é na minha barriga que ele está, é com ele que falo quando estou sozinha...eu quero ajudar essa menina. 
- Não estava nada à espera disso...
- Não as queres ajudar?
- Quero...
- Então vamos ajudar. Tens alguma maneira de contactar com os pais dela?
- Sim...penso que tenho o número de telefone deles. 
- Então vamos ligar. Se quiseres falo eu.
- Obrigada Ana - ele agarrou na minha mão e deu-me um beijo. 
Podemos ter alguns problemas com as nossas próprias famílias, ou mesmo connosco...mas neste momento aquela pobre criança indefesa não me sai da cabeça. Não é para uma instituição que ela tem de ir, por muito boa que seja.