terça-feira, 16 de fevereiro de 2016

66: “Isto é uma surpresa para mim.”

 - Ai, Sergio! Já chega de praia-casa, casa-praia! Estamos aqui há dois dias e ainda nem fomos conhecer as redondezas.
- Ah e tu queres conhecer as redondezas? Eu a pensar que os dias podiam ser sempre assim…
- É, íamos passar sete dias a acordar, comer, ir para a praia, comer, estar na praia, ir jantar, ir dormir?
- Estás a esquecer-te de uma parte fundamental do nosso dia – Sergio rodeou a cintura da mulher, dando-lhe um beijo nos lábios – estás muito resmungona hoje. E não podes alegar falta de sexo…
- Alego, sexo a mais!
- Sexo nunca é demais, bomboca!
- Eu acho que é. Acho que podíamos ir passear, beber umas quantas tequilas ou ficar a noite toda na praia até o nascer do sol! Falta aqui aventura na nossa lua de mel, Sergio! – Ana passou os seus braços por cima dos ombros de Sergio, roçando o seu nariz no dele – vá lá…
- Tu, então, estás com falta de aventura… - Sergio beijou-a, agarrando uma das suas mãos – vamos lá, então.
- Vamos?
- Agora vamos mesmo! – foram em direção da recepção daquele condomínio onde estavam e Sergio acabou por ficar algum tempo a conversar com o recepcionista sobre todas as possibilidades que tinham para a aventura que Ana queria Cascadas de Agua Azul, que te parece?
- Não sei…
- Há um itinerário turístico que podemos seguir. Sai um autocarro daqui a pouco em direcção das cascatas. Depois temos de seguir um trilho a pé para lá chegar…parece-te aventura suficiente?
- Acho que sim – os dois riram-se e, depois de trocarem um beijo, seguiram para marcar a sua ida no autocarro para o tal local.
Por sorte, poucas eram as pessoas que iam naquele momento com eles. Dando-lhes, assim, algum espaço para estarem mais à vontade. Claro que algumas das pessoas os reconheceram mas tornaram aquela viagem agradável e despreocupada.
Assim que chegaram ao fim do caminho, foi entregue um mapa para não se perderem, sendo que iria estar ali o autocarro para voltarem ao condomínio assim que terminassem a visita. Tinham duas horas para o fazer.
- Toma, Miss Aventura – Sergio entregou o mapa a Ana, que ficou a olhar para ele – tu é que querias aventura, tu é que tens de decifrar isso!
- Não me digas que não sabes olhar para um mapa?
- Claro que sei! Mas sou cavalheiro!
- Não haja dúvida que és! – os dois riram-se e, depois de Ana se dedicar a olhar para o mapa, começaram a caminhar rumo ao sitio que estava marcado no mapa como sendo aquele onde poderiam estar mais perto da água – não há animas selvagens por aqui, pois não?
- Não. Mas há macacos, umas quantas serpentes e aranhas – Ana, que ia há frente, parou olhando para ele – não são tão selvagens quanto os leões…
- Tu não te esqueças que temos um filho em casa e casamos há três dias! Se houver desses bichos por aqui eu juro que faço de tudo para me salvar a mim primeiro!
- Ei, relaxa – Sergio passou para o lado de Ana, rodeando a cintura da mulher com o braço – não há qualquer perigo por aqui.
- Espero bem que me estejas a dizer a verdade!
Sergio riu-se e seguiram-se mais alguns minutos de caminhada, sempre em torno do assunto dos animais. Ana tentava olhar para todo o lado, garantindo que não havia vestígios de movimentações de animais estranhos. Começava a ficar cansada, demasiado suada…
- Começo a achar que isto não foi boa ideia – disse, depois de retirar a camisola ficando apenas de calções e a parte de cima do biquíni.
- Ser aventureira custa! Não estás habituada…
- Caluda!
- Ah agora mandas-me calar?
- Não, a sério. Cala-te – Ana aproximou-se de Sergio, tapando-lhe a boca. Fez sinal para que apenas ouvisse, ficando a olhá-lo. Era o som da água. Um som intenso, de água a correr a grande velocidade – estamos perto com certeza – falou, baixinho, retirando a mão da boca de Sergio.
- És boa a comandar as operações.
- É bom que saibas isso…
- Claro que sei – retomaram a caminhada, num passo mais calmo e apreciando a paisagem que tinham à sua volta. Para além de todas as arvores que tinham à sua volta, de todas as flores de todas as cores…o sol aparecia por entre as folhas, dando uma cor ainda mais bonita a tudo aquilo.
- Chegámos! – Ana, vendo água à sua frente, apressou-se a correr na direcção de uma espécie de alpendre que os possibilitava aproximar-se de tudo.

O som tornou-se ainda mais intenso, era tudo tão bonito que Ana se deixou aconchegar nos braços de Sergio e apreciar aquele momento. Tinham um outro senhor ali a explicar tudo o que representavam aquelas cascatas e, no fim dessa explicação, fizeram um outro caminho para regressar ao autocarro percebendo qual era a dimensão daquelas cascatas e que não existia apenas aquele sitio onde estavam.






- Ana? – chamou Sergio – vá, está na hora.
- Mas ainda há pouco adormeci… - Sergio riu-se – não te rias…dói-me a cabeça – Ana levou as suas mãos à cabeça, começando a abrir os olhos. Tinha Sergio deitado em cima dela, já vestido – está mesmo na hora?
- Hum, hum…o avião está pronto dentro de meia hora.
- Ai dói-me tanto a cabeça – rodeou o pescoço do marido, fazendo com que ele acabasse por se deitar em cima dela – não podemos ficar cá?
- Temos um bebé à nossa espera…
- Acho que isso é mais que um argumento para eu me levantar depressa! – Ana soltou-o, acabando mesmo por se levantar de seguida – oh, que dor de cabeça! – queixou-se, assim que se colocou em pé.
- É o poder das tequilas!
- Tu, como bom marido que és, devias pensar em arranjar um pequeno almoço…e comprimido, não?
- Vai tomar um duche e despachar-te que eu trato disso.
- Muito obrigada, marido.
- De nada, esposa – os dois riram-se e Ana foi para aquele que considerou ser o banho mais demorado que tomou na sua estadia no México.
- Ana, despacha-te! – avisou Sergio, fazendo com que ela se risse. Despachou-se mesmo mais depressa, vestiu-se e voltou para o quarto onde estava Sergio – assim só vais ter direito a comer e comprimidos quando chegarmos ao avião.
- Estás a brincar…
- Não estou não…temos de ir. Agora.
Sergio agarrou em duas malas, Ana noutras duas e saíram daquela casa em direcção do aeroporto. Optaram por ir para o México e regressar a Madrid num jato privado por ser mais cómodo, tendo em conta a quantidade de horas que iriam passar ali.
Depois de entregarem as suas malas ao responsável de embarque, começaram a caminhar para junto do avião e Sergio aproveitou para partilhar, naquele momento, a primeira foto nas redes sociais. Desde que decidiram ficar desligados de tudo, ainda nenhum tinha publicado alguma coisa.

Madrid aqui vamos nós! 
- Tens a certeza?
- Tenho, Sergio. Não há qualquer problema.
- E se houver por lá algum jornalista?
- Eu garanto que o nosso filho fica bem escondido – Ana beijou-o, abrindo a porta do carro – queres que te venha buscar, certo?
- Dava jeito.
- Então nós estamos cá assim que acabe o treino – Ana entrou no carro, começando a conduzir. Tinha ido deixar Sergio ao treino do Real Madrid e agora preparava-se para ir passear pelo centro da cidade com o filho.
Dentro de poucos dias, Sergio iria começar mais uma época ao serviço do Real Madrid, sendo que tinha passado as ultimas duas semanas nos estados unidos a preparar essa mesma época.
Ana sabia que poderia correr riscos de se deparar com algum jornalista, que podiam haver paparazzi espalhados pela cidade que os vissem. Mas também sabia que tinha de fazer a sua vida normalmente.
- Ana Ramos? – por momentos ficou na duvida se seria para si mas depressa viu um senhor acenar-lhe aproximando-se dela – calculo que ainda não esteja habituada ao apelido…
- Não esperei que me fossem chamar assim…deveria conhecê-lo?
- Não, calculo que não. Eu sou jornalista – Ana começou a apressar-se a tentar avançar, sem sucesso uma vez que o senhor se colocou à frente dela – sou jornalista de profissão e fundador de uma revista de arquitetura – naquele momento, Ana ficou ainda mais confusa – sei que a sua área é o desporto e que, muito provavelmente, não se vê a fazer outra coisa para além disso mas…eu gostava muito de a ter na minha equipa.
- Isto é uma surpresa para mim.
- Eu imagino que sim…tome – o senhor entregou-lhe um cartão, olhando-a de seguida – o meu nome é Davi de La Rosa, se estiver interessada em agendar uma reunião comigo para falarmos melhor telefone-me. Eu agora estou com alguma pressa…obrigada pela sua disponibilidade.
- De nada… - Ana deixou-se ficar ali quieta, estando mesmo surpreendida por tudo aquilo que tinha acabado de acontecer. Nunca se imaginou a trabalhar noutra área, nem que poderia surgir uma oportunidade de trabalho no meio da rua.
Sentou-se num dos bancos que ali estavam, colocando o carrinho de Vicente à sua frente. Enquanto não foram horas de ir buscar Sergio, aproveitou para pensar no que tinha acontecido, no que tinha de comprar e fazer naquele dia.
- Buenas! – disse Sergio, assim que entrou no carro – que tal correu esse passeio?
- Correu bem. Fiz as compras que eram precisas, fomos apanhados pelos paparazzi e ainda houve tempo para uma proposta de trabalho – respondeu Ana, tudo muito depressa.
- Calma…paparazzi e trabalho?
- Sim…quanto aos paparazzi foi coisa simples. Limitaram-se a dizer o que é que andamos a fazer e a tirar algumas fotos – Ana entregou-lhe o telemóvel, começando a conduzir – não são nada de especial, penso que podemos deixar passar, não?
Sergio olhou para as fotografias, lendo também o que estava escrito. Tinham mesmo só descrito o que e que tinham andado a fazer e as fotografias não eram mesmo nada de especial. 



- Podemos mesmo deixar passar isto…desde que se mantenham assim – Sergio olhou para o banco detrás, vendo que o filho dormia tranquilo – agora…proposta de trabalho?
- Isso é o mais estranho de tudo…um senhor, Davi de La Rosa, veio ter comigo para me propor uma reunião com ele…disse que gostava de me ter na equipa dele mas na área da arquitetura.
- Isso é um pouco fora da tua área…
- Muito fora! Eu entretanto pesquisei sobre a revista, eles têm imensa reputação na área e não falam só sobre arquitetura em si. Têm também a questão da decoração de interiores.
- Pareces entusiasmada a falar…
- Se calhar um bocadinho – acabou por confessar – era uma oportunidade de recomeçar a minha carreira, longe do desporto entendes?
- Perfeitamente.
- Ainda tenho muito que pensar, muitas opiniões para ouvir – Ana olhou para Sergio, vendo-o sorrir – mas deixou-me entusiasmada em certo ponto.
- Escolhas o que escolheres, eu só quero que sejas feliz. Mesmo que seja numa área diferente da tua.
- Obrigada – os dois foram interrompidos pelo som do telemóvel de Ana a tocar – atendes?
- Claro... – Sergio fez o que Ana lhe pediu, mesmo sem ver quem era – sim?
- Sergio?
- Sim, quem fala?
- É o Salvador. De Portugal…o amigo da Ana.
- Ah, sim! Salvador! – Ana olhou-o, estranhando aquele telefonema – como estás?
- Eu estou bem. desculpem mais uma vez não ter conseguido ir ao casamento…
- Não te preocupes…não é todos os dias que se tem a oportunidade de carreira que tu tiveste – Salvador tinha formado a sua empresa de fatos de surf e, na altura do casamento, ausentou-se do país para uma reunião com uma marca mundialmente conhecida para fazerem uma parceria.
- E…acho que não estou a ligar pelas melhores razoes.
- Aconteceu alguma coisa?
- Põe em alta voz – pediu Ana e Sergio acabou por o fazer – Sal?
- Olá miúda! Que tal estás tu?
- Está tudo bem…e tu?
- Também. Mas, como eu estava a dizer ao Sergio…eu acho que não são as melhores razões para vos telefonar.
- O que é que aconteceu?
- Há alguns dias que me andam a telefonar insistentemente por causa do terreno da tua casa aqui na Ericeira.
- Sim…
- Eu já disse imensas vezes que a casa não está para venda, que tu não estás interessada em vender…mas simplesmente não me ouvem e estão mesmo interessados em comprar a tua casa.
- Isso está completamente fora de questão – Ana teve de parar o carro junto de um parque de estacionamento, para não se distrair – quem é que são essas pessoas?
- Eu tenho falado com o advogado, um tal Juan. Quem quer comprar a tua casa vive em Madrid e só fala comigo através do advogado.
- Tens o contacto?
- Claro. Eu ainda não te tinha dito nada porque sei que não a vendes e que seria essa a resposta que eu tinha de dar. Mas são tão insistentes que eu decidi que te devia dizer.
- Fizeste bem, Sal. Não deixes ninguém se aproximar dessa casa. Ela agora está na tua posse porque eu confio em ti para cuidares do que resta das minhas memórias de infância…
- E podes ficar descansada que eu vou guardar esta casa com tudo o que possa. Até porque é onde moro agora…
- Eu vou tentar descobrir quem são essas pessoas e, assim que souber alguma coisa eu digo-te. E, obrigada Salvador. Por tudo.
- De nada, assim que souberes alguma coisa diz Ana desligou a chamada, debruçando-se sobre o volante. Sentiu a mão de Sergio percorrer as suas costas, começando a abanar a cabeça.
- Quem é que poderá querer comprar aquela casa, aquele terreno com tanta insistência?
- Não sei, meu amor…mas vamos descobrir – Sergio acabou por abraçá-la, percebendo o quanto Ana tinha ficado perturbada com aquele telefonema.
Sabia o quanto aquela casa significava para ela e o quanto seria difícil estar a receber todas aquelas informações. Sabia, também, que agora iria ter como prioridade descobrir quem eram aquelas pessoas. E Ana não vai descansar enquanto não o fizer. 


Olá meninas!
Aqui está mais um capítulo que espero mesmo que tenham gostado. Fico há espera dos vossos comentários e, se quiserem, deixar alguma sugestão com ideias que quisessem ver colocadas em prática na história. 
Beijinhos para todas.
Ana Patrícia.

domingo, 10 de janeiro de 2016

65: “Obrigado por fazeres de mim o homem mais feliz do mundo”

- É muito parecido contigo, querida – disse Palmira, visivelmente emocionada naquele momento.
Ana tinha a sua avó e o seu irmão a visitá-la, em sua casa, e haviam imensas coisas a acontecer na sua cabeça. Se, por um lado, se sentia feliz por os ter ali a conhecer um pedaço da sua vida, por outro não sabia o que aquilo significava. Não estava habituada a ter a sua família de sangue tão próxima, não estava acostumada a tê-los no seu dia-a-dia e sempre considerou não precisar deles.
Na verdade, Ana sabia que isso não era verdade. Cada vez mais tem sentido a necessidade de os ter por perto, de os conhecer melhor e criar, de vez, laços com a sua família biológica.
- A avó não diga isso muitas vezes...o Sergio começa a ficar com ciúmes – todos se riram e Palmira olhou a neta.
- Vocês vão ser muito felizes, querida. É de louvar tudo o que tens conquistado à tua maneira...depois de tudo.
- Escolhi viver assim, avó. Estou a caminho dos 25 anos e acho que não trocaria nada do que tenho. Sou feliz assim...
- Isso nota-se – Gonçalo, que se mantinha mais calado, manifestou-se fazendo com que Ana o olhasse – nota-se mesmo, Ana. Tu foste habituada a estar com os pais, tu sentiste o que era o amor deles e, mesmo perdendo-os e tudo o que se sucedeu depois – Gonçalo fez uma pequena pausa acabando por fazer com que, tanto Ana como Palmira se emocionassem – tu escolheste o caminho mais difícil para o sucesso. Podias ter-te tornado uma marginal mas não o fizeste...e isso é algo que me deixa orgulhoso de ti, enquanto teu irmão mais velho. Podemos não ter essa relação perfeita de irmãos...mas eu garanto-te que tenho muito orgulho em ti.
Ana não esperava aquelas palavras de Gonçalo. Esperava que elas um dia surgissem, que um dia fossem capazes de dizer tais coisas um ao outro. Nunca pensou que chegassem tão depressa. Sentiu-se incapaz de dizer qualquer coisa ao irmão. Agradeceu-lhe...mas não conseguiu retribuir nada.


- Dani ajudas a tia?
- Claro, claro! – Daniela levantou-se do sofá, indo com Ana em direção do quarto de Vicente.
Como combinado, a sobrinha de ambos tinha ido passar uns dias a casa de Ana e Sergio. Queriam dar a possibilidade a Daniela para se puder aproximar do primo, para se sentir próxima deles lá em casa ao ajudar. Não poderia ter sido melhor ideia. Para além de Ana não estar tanto tempo sozinha com Vicente quando Sergio estava nos treinos e nos jogos, Daniela trouxe uma boa disposição constante aquela casa.
- Porque é que lhe dás banho de manhã? Eu só tomava à noite...pelo menos foi o que disse a minha mãe.
- O Vicente, se lhe der banho à noite, fica muito agitado e não consegue adormecer tão depressa. Deve pensar que o estamos a preparar para o dia. A pediatra aconselhou a mudarmos os banhos para de manhã e tem resultado.
- A sério? Então é por isso que ele dorme a noite toda?
- Podemos dizer que sim.
- Ana, ele não precisou de ir mais ao médico por coisas graves, pois não?
- Não querida. Só vai mesmo para a pediatra ver se ele está a crescer bem.
- Eu fiquei muito assustada sabes? – Ana sabia que, quando conversava com Daniela, havia sempre perguntas. E os seus pensamentos profundos – ele era tão pequenino e teve de ficar tantos dias no médico. Eu fiquei assustada por causa do que aconteceu com os teus outros bebés.
- Eu também tive medo, pequenita – Ana olhou-a, reparando que Daniela olhava super atenta para Vicente enquanto ela lhe dava banho – mas o Vicente é um bebé forte. Podes passar-me o gel de banho, por favor?
- Sim – Daniela olhou para a cesta dos produtos de Vicente, retirando de lá o gel de banho – queres que ponha onde?
- Um bocadinho na tua mão – Daniela, muito espantada, olhou para Ana – queres ser tu a passar o gel pelo corpinho dele?
- Posso?
- Claro.
- Ai, obrigada – antes de fazer o que Ana lhe pediu, Daniela ainda a abraçou – eu estou a adorar estar aqui com vocês.
- E nós a adorar termos-te cá, princesa – Ana deu-lhe um pequeno beijo na cabeça e Daniela ajudou-a com a tarefa de dar banho a Vicente – vamos precisar de uma toalha e a tia não tem aqui nenhuma – constatou Ana.
- E onde é que está?
- Se calhar no quarto da tia...podes lá ir ver, por favor?
- Sim, eu vou – saindo disparada do quarto de Vicente, Ana acabou por pôr Vicente em cima do trocador de fraldas.
- Como é que isto vai? – sobressaltou-se com a voz de Sergio, acabando por sorrir – desculpa, não te queria assustar – Sergio foi ter com Ana, rodeando a cintura da noiva com os seus braços – que sorriso lindo é esse?
- Não tenho motivos para não sorrir, Sergio. Está tudo a correr tão bem, eu sou tão feliz!
- Somos dois, rainha minha – aproveitou para depositar um beijo no pescoço de Ana, agarrando a mão de Vicente – então...estás assim tão apaixonada por ele que petrificaste?
- Não – Ana riu-se, agarrando a mão de Sergio – a Dani foi buscar uma toalha ao nosso quarto. Não tinha aqui nenhuma.
- Ela está a gostar de estar cá, não está?
- Está a adorar! Ela própria acabou de me dizer.
- Fico feliz por dar essa felicidade à minha sobrinha.
- Oh tio! Assim a Ana não consegue despachar o Vicente! – os dois foram surpreendidos pela entrada de Daniela no quarto que, depressa entregou a toalha a Ana – vá, larga-a.
- Olha, olha. Estás muito mandona, minha menina! – enquanto Ana limpava Vicente e o preparava para se vestir, Sergio aproveitou para pegar em Daniela ao colo e andar com ela como se de um saco de batatas se tratasse, pelo quarto e até pelo corredor.
Aqueles momentos, todos aqueles segundos e todos os minutos que passavam juntos eram especiais.


- Como é que tu não estás nervosa? – perguntava Miranda.
- Não sei – respondeu Ana, sorrindo – acho que estou anestesiada.
- Nota-se! Estás toda sorridente, tranquila...nada normal de quem vai casar amanhã! Até eu estou mais nervosa.
- Mas tu és a madrinha...as madrinhas estão sempre mais nervosas – Ana riu-se, olhando para o cenário que tinha na sua frente – está bonito, não está?
- Está lindo, Ana – tinham acabado de organizar todas as mesas para a recepção dos convidados.
Ana e Sergio tinham escolhido casar em Sevilha. Não só por ser a terra natal de Sergio mas por se terem apaixonado pelo sitio que escolheram para o casamento. E, no mês de Julho, o tempo só contribuía ainda mais para que aquele fosse o sitio para o acontecimento. 



- Só estou preocupada com uma coisa...
- O quê? – as duas começaram a dirigir-se para o quarto que tinham naquela quinta maravilhosa.
- Saber se as cadeiras chegam todas a tempo!
- Mas aquelas que estão lá fora não chegam?
- Eu não sei, Miranda...eu não as contei todas, mas eles dizem que faltam.
- Relaxa que todos os convidados vão ter um sítio onde sentar o rabinho!
As duas riram-se à gargalhada, abrindo a porta do quarto. Iam dormir juntas, Ana não dispensava passar aquela noite com a sua madrinha de casamento. Assim como não dispensava a presença de Vicente no seu quarto. O menino já dormia há algum tempo e os seus cinco meses tornavam-no cada vez mais irresistível.
- Vê lá se queres um babete!
- Sim, sim, sou completamente apaixonada pelo meu filho!
- Deixa lá que eu também ando assim pela minha Maya.
- Como é que a deixaste ir dormir com o pai?
- O Xabi precisa de companhia...ele vai sentir a minha falta – as duas riram-se, acabando por se deitarem – eu estou muito feliz por ti, Ana.
- Obrigada, meu amor – Ana não resistiu e abraçou-se a Miranda, deixando a sua cabeça sobre o peito da amiga – tinha saudades de dormir contigo.
- Oh minha bonequinha – Miranda apertou-a, dando-lhe um beijo na testa – vamos dormir que já só temos seis horas de sono pela frente.
- Antes de nos acordarem e começar a loucura dos cabelos, maquilhagem e vestidos.
As duas riram-se, acabando por adormecer muito depressa. O cansaço dos últimos dias começava a ser sentido.

- Então, está tudo como querias? – a voz de Gonçalo sobressaltou Ana que supervisionava o local onde iria decorrer a cerimónia.
- Está. Ainda mais bonito para dizer a verdade... – olhou para o irmão reparando que ele já estava pronto – e tu também estás muito bonito.
- Não é todos os dias que a irmã mais nova casa... – Ana abraçou-o, sentido as mãos de Gonçalo apertarem-na contra si – parabéns, miúda.
- Obrigada, Gonçalo – olhou-o – sabes que eu só comecei a ser boa com palavras e sentimentos depois de conhecer o Sergio. Em tempos, acho que o convite que te fiz em levares-me ao altar seria o suficiente para eu te dizer que gosto muito de ti – Ana levou uma das suas mãos à cara do irmão sorrindo – mas hoje...hoje eu sei que preciso mesmo de te dizer que gosto imenso de ti. E agradecer-te por todos os esforços que fizemos ao longo destes cinco meses para hoje termos uma relação de irmãos.
- Não precisas de me agradecer. Ambos sentimos que nos faltava isso e foi de ambas as partes. Reconstruímos a nossa relação e eu acho que foi o mais importante. E quero agradecer-te novamente por me dares a honra de te levar ao altar, juntamente com a Miranda.
- Essa parte... ela não sabe.
- Como assim não sabe?
- Eu ainda não lhe consegui dizer, Gonçalo. Achas que...podes fazer com que ela não entre juntamente com as damas de honor e se junte e a ti?
- Fica descansada que vou tratar disso – Gonçalo deu um beijo na testa da irmã, voltando a olhá-la – precisas de mais alguma coisa?
- Não, não. Vou ficar por aqui mais um bocadinho para, depois, voltar ao quarto e à confusão toda da roupa.
- Boa sorte com isso, mana!
- Obrigada – os dois riram-se e Gonçalo dirigiu-se ao interior da quinta. Ana contemplou a vista que tinha à sua frente por mais algum tempo até que se dirigiu ao seu quarto para se preparar.


- Afinal não sou a única ainda em robe! – disse Ana, chegando ao seu quarto. Miranda ainda estava de robe, assim como as suas damas de honor: Paqui, Miriam e Daniela. Sim, Ana tinha escolhido a família de Sergio para suas damas de honor. Sendo que Miriam era, ainda, a madrinha de casamento de Sergio.
- Estávamos todas à tua espera – começou por dizer Paqui.
- Não queríamos que perdesses a oportunidade de nos veres nas nossas sexys lingeries – disse Miranda, fazendo com que todas se rissem à gargalhada. Aproveitou o momento para dar um abraço apertado à amiga.
Depois, sim, o jogo da maquilhagem, cabelos e vestidos começou.
- Como é que andarão as coisas pelo hotel dos rapazes? – perguntou Miram.
- De certeza que o tio está a dormir – respondeu Daniela, fazendo-as rir – não se riam, olhem que é capaz de ser bem verdade! – a menina parecia bastante confiante com o que dizia. Era ela quem olhava por Vicente, já que estava mais perto dele – também vai ser o batizado dele, não é?
- É sim, Dani – respondeu-lhe Ana.
- Por falar nisso – começou Paqui, fazendo com que Ana olhasse para ela – o padrinho do menino já chegou.
- A sério? E trouxe a sua acompanhante? – Ana referia-se à namorada de Mario.
- Trouxe.
- Ah boa! Ele conseguiu convence-la!
- Queres que o vá chamar?
- Não se importa, Paqui?
- Claro que não, querida – depois de dar um beijo na testa de Ana, Paqui dirigiu-se ao quarto onde estava a família de Ana, alguns familiares seus e Mario com a namorada – padrinho do meu neto? – Mario, de imediato, olhou para Paqui sorrindo – a mãe da criança chama-te. E à tua companheira também.
Mario entrelaçou a sua mão à da namorada, encaminhando-se a Paqui.
- Bom dia, Paqui. Quero apresentar-lhe a Sara, a minha namorada. Sara é a mãe do Sergio.
- Muito gosto – as duas cumprimentaram-se com dois beijos, Mario também cumprimentou Paqui e os três seguiram em direção do quarto de Ana.
- Vejam só se não é o meu parceiro de baptismo que chegou! – dizia, animada, Miranda – estás tão nervoso quanto eu?
- Tu és capaz de estar mais. Afinal não és só madrinha do Vicente! – Mario cumprimentou-a, assim como Sara. O rapaz aproveitou, ainda, para apresentar a namorada a todas as presentes que não a conheciam e, antes de se dirigir a Ana que estava na casa de banho, pegou em Vicente ao colo – olá noiva jeitosa!
- Mario! – Ana não conseguia, nunca, esconder a felicidade ao ter Mario por perto. Por todo o passado que têm, Ana irá sempre considerá-lo um dos seus melhores amigos – estás tão bonito! – os dois olhavam-se através do espelho, já que Ana acabava de se maquilhar.
- Já tu...isso não está estranho?
- Olha, isto ainda está em construção, sim?
- Mas vou ter direito a um beijo ou não?
- Não sei se mereces!
- Já viste como é que a tua mãe trata o padrinho? – Ana viu-o olhar para Vicente e o menino a rir-se – ah pois! Ela é má para mim!
- Sim, sim. Não te queixes muito – virou-se para Mario que, ao vê-la de robe aberto tapou de imediato os olhos com uma das suas mãos – oh Mario... – Ana riu-se, acabando por fechar o robe já que, por baixo, apenas trazia a lingerie – não é nada que nunca tenhas visto!
- Tudo bem, mas agora és uma mulher quase casada, eu vou ser padrinho do teu filho e estou muito apaixonado pela minha namorada. Já estás composta?
- Já, já – os dois riram-se e Mario olhou-a – és tão parvo – Ana aproveitou para o abraçar, dando-lhe um beijo demorado na bochecha – obrigada por tudo, Mario.
- Eu não faço nada de especial.
- Podes crer que fazes e fizeste. Foste, em tempos, um homem maravilhoso comigo e...eu peço desculpa por te ter colocado no meio de tudo. Por ter...começado uma relação contigo quando a minha com o Sergio estava tão instável.
- Ei, shiu, vá – Mario puxou-a para junto dele, dando-lhe um beijo na testa – por mais que tenham sido tempos maravilhosos a teu lado, eu sempre soube que era com o Sergio que irias acabar por ficar. Era mais que óbvio que a vossa relação iria voltar ao que era – Ana afastou-se de Mario, olhando-o – mas foi ótimo estar contigo e puder fazer parte da tua vida agora.
- E do meu pequenino.
- Que é o meu pequenino! Não te livras de o deixares vir passar, pelo menos, um fim de semana comigo quando ele for mais crescido.
- Todos os quantos vocês quiserem – Mario voltou a beijar-lhe a testa, olhando-a de seguida – a Sara?
- Está ali no quarto.
- Vamos lá para dentro, então. Ela não tem ciúmes, pois não? Acho que nunca falamos sobre isto...
- A Sara sabe de tudo o que aconteceu entre nós. No inicio tinha um bocadinho – Mario riu-se, olhando-se ao espelho – mas ela sabe que eu vejo-te, agora, como uma irmã e a ela como a futura senhora Suaréz.
- Eu fico muito feliz por vocês, Mario.
- E eu por vocês, Ana.

- Mas porque é que ele ainda não chegou? – perguntava Ana a Paqui, já que Sergio ainda não tinha chegado.
- Não sei, não sei. Estamos fartos de lhe ligar e não nos atende – esclareceu Paqui.
- Fica descansada que ele não desistiu de casar contigo – disse Miranda, rindo-se. Ana não se conseguia rir com a situação, estava nervosa. Começava a questionar tudo... o telemóvel de Paqui tocou e, por momentos, Ana assustou-se ao ver o nome de Sergio aparecer no ecrã.
Afastou-se, ficando por momentos sozinha. Olhava o seu boquet, olhava a relva e os arbustos que por ali se encontravam. Reparava que o fotografo ia captando cada um dos seus convidados e se começava a dirigir para aquela zona.
- Apanharam trânsito, mas já cá estão – avisou Paqui, fazendo com que Ana sorrisse de imediato – o noivo chegou! – gritou, visivelmente aliviada.
- Estou aqui, madre! – Ana sobressaltou-se com a voz de Sergio. Estava por detrás do arbusto onde ela estava – onde é que anda a minha noiva?
- Eu estou aqui, Sergio – acabou Ana por dizer, rindo-se – vai lá para o teu sitio...
- Queres assim tanto casar comigo?
- Claro que quero! Tu não me consegues ver pois não?
- Não, fica descansada. Não demores - Ana sorriu, virando-se para Paqui e Miranda.
- Podemos ir – afirmou – estou bem?
- Estás linda, minha querida – disse Paqui, abraçando Ana.
- Melhor não poderias estar – Miranda aproximou-se de Ana, olhando-a – vou ter de te dar o braço?
- O Gonçalo já te disse?
- Já. Porque é que não o fizeste tu?
- Oh, eu não sabia como o fazer...
- Tonta – Miranda deu-lhe um beijo na testa e, depois de algumas fotografias, começaram a dirigir-se para o local onde se iniciava a passadeira de pétalas de rosa branca para que Ana caminhasse sobre elas até ao altar. 


Ana jamais irá esquecer o dia do seu casamento. O momento em que os seus olhos viram Sergio, o momento em que as suas mãos se juntaram as dele para nunca mais se separarem naquele dia, o momento em que viu o seu filho sereno no colo do padrinho...tudo aquilo parecia um verdadeiro conto de fadas.
Emocionaram-se, riram-se até ao momento em que começaram a sentir-se nervosos. Sentiram-se nervosos no momento em que tinham de dizer sim um ao outro. Não se tratava de ser difícil de o dizer, mas sim pela responsabilidade que esse sim traz. Para ambos, assumirem esse sim é para a vida. Ambos o disseram, olhando intensamente um para o outro. Jurando que seria eterno.
Seguiu-se a cerimónia do baptizado de Vicente. Um momento todo ele muito emotivo. Ana não conseguia esquecer todos os maus momentos que tinha passado para ter conseguido aquele bebé, não conseguia deixar para trás o seu passado num dia como o de hoje e as lágrimas eram a prova disso.
- Estás bem? – perguntou-lhe Sergio, baixinho, agarrando-lhe a mão.
- Sabes... – Ana olhou-o – é difícil esquecer tudo o que já passamos, os dois bebés que eu perdi antes de termos o nosso filho...hoje é daqueles dias que nos lembramos disso tudo, não é?
- É. Mas é um dia feliz...
- Um dia muito feliz, Sergio – Ana levou a sua mão à cara do, agora, marido dando-lhe um curto beijo nos lábios.
- Nós gostaríamos de deixar algumas palavras – começou por dizer Miranda, capturando a atenção de Ana e Sergio, assim como de todos os que ali estavam – posso começar eu? – perguntou a jovem a Mario que prontamente lhe acenou que sim com a cabeça – bom, como a maioria dos presentes sabem eu conheço a Ana desde quase sempre. Posso dizer que a conheço desde que as nossas vidas recomeçaram. Passamos por muita coisa juntas, tanto boas como más. E eu sei que quero ficar com ela para muitos mais momentos desses. Tenho a honra de ser a sua madrinha de casamento e a madrinha do filho dela...não, não queiram estar no meu lugar porque ela é muito exigente para quem exerça este papel – todos se riram e Miranda olhou para a amiga – obrigada por seres uma irmã espetacular, por todas as vezes que me abriste os olhos e por todos os sorrisos que partilhamos. Tudo farei para te proteger a ti, sempre o fiz mas, agora, irei fazer de tudo para proteger o meu afilhado. Obrigada Ana.
- Então e eu? – perguntou muito rápido Sergio.
- Oh, sim. Obrigada Sergio por teres contribuído para tudo o que ela é hoje, sobretudo por a fazer feliz. Mas não fiques convencido! – Miranda riu-se, olhando para Mario que tinha Vicente nos seus braços – agora é a tua vez.
- Bom, eu vou ser breve...temos de ir comer, não é? E o Vicente está a ficar com fome – Mario olhou para Ana e Sergio – quem diria que eu viria a estar no vosso casamento e a ser padrinho do vosso filho...isto é a prova que a vida dá imensas voltas, que tudo pode mudar mas quando uma amizade é verdadeira...essa amizade mantém-se. Vocês sabem que gosto imenso de vocês, que tenho um carinho muito especial pela Ana e que a vejo como minha irmã. Espero que sejam muito felizes, junto do meu primeiro afilhado de sempre, mas que lhe façam um irmão. E que depois os deixem lá ir a casa e isso...pode ser? – tanto Ana como Sergio assentiram que sim com a cabeça – obrigado. E é isto, sejam felizes e prometo que irei cumprir com todas as minhas funções de padrinho.
Partilharam, ainda, alguns minutos naquele sitio cumprimentando cada um dos convidados e, só depois, se dirigiram ao local onde iriam decorrer as refeições e as danças. Ana e Sergio foram, ainda, tirar algumas fotografias os dois, aproveitando o momento para estarem mais sozinhos e namorarem um bocadinho naquele que era o dia deles.



- Será que posso ter a vossa atenção por uns minutos? – começou por pedir Sergio, fazendo com que todos o olhassem. Ana não sabia o que ele tinha programado para este momento...algo que a deixava ansiosa – primeiro, gostava de agradecer a vossa presença. É muito bom puder partilhar este momento não só com as nossas famílias, como com os nossos amigos – Sergio elevou o copo de champanhe que tinha na mão e todos os convidados fizeram-no também – em segundo, quero agradecer-te a ti Ana – Sergio olhou-a, deixando-a um pouco envergonhada – obrigado por fazeres de mim o homem mais feliz do mundo, por estares a meu lado mesmo depois de tudo o que já se passou entre nós – Sergio deu-lhe um beijo na testa, retirando do bolso interior do seu casaco um envelope. Ana conhecia-o...fazia parte dos envelopes que os seus pais lhe tinham deixado – por último, quero partilhar uma carta com todos vocês – Sergio abriu o envelope, começando a ler.

Não sei qual o momento do dia em que escolheste ler esta carta.
Não sei se é de manhã quando estás mais nervosa, ansiosa, aflita até. Não sei se é a meio da tarde, depois da cerimónia ou à noite. Não sei, Ana.
Mas sei o que te quero dizer. Que leias esta carta com o teu, agora, marido. Está ao teu lado? Boa, leiam os dois.
Chegaram a uma nova fase das vossas vidas. À fase onde, muitos casais, entram na rotina, entram na loucura de se deixarem influenciar pelo efeito casamento. Aquele efeito que acaba com as relações. Vocês não poderão ser assim. Escolheram casar por alguma razão. Escolheram ser um do outro. Porque se amam. Já entregaste a carta dedicada ao homem da tua vida ao teu marido, Ana? Já o deves ter feito...e hoje são marido e mulher.
Irás deixar de usar o nosso apelido no fim do nome para usares o dele, para seres completamente dele. Irás deixar de ser uma Moreira para seres dele. E eu não poderia ficar mais feliz por ti. O pai também...mesmo que seja difícil para ele expressar-se nesta fase. Anda mais esquecido, não sei o que se passa com ele...
Não te preocupes, esquece. O que importa é o teu dia. O vosso primeiro dia enquanto marido e mulher. Qual é a sensação? Já passou o friozinho na barriga dos nervos? Já o viste chorar? Ele chorou...eu sei, assim que te viu andar na direção dele, chorou. E, sabes porque? Porque te ama e ansiava por este dia desde o primeiro em que se conheceram.
Na vida, podem ter tido diversos amores, diversas relações. Mas nenhuma chegou ao ponto da vossa. Estão casados, planeiam ter um futuro a dois. Ou a três, quatro...com os vossos filhos. Queríamos estar presentes neste dia especial para ti, Ana. Acredito que tenha sido difícil organizares tudo e faltar-te dois lugares na lista de convidados. Faltarem dois lugares na mesa dos noivos. Espero que os tenhas ocupado. Com aqueles que consideras serem pessoas especiais para ti. E que não seja apenas no casamento. Que o faças para a tua vida. Se essas duas pessoas são assim tão especiais para ti...fica com elas para a vida.
Ao teu marido: está bonita a minha filha, não está? Mais bonita do que qualquer dia que a tenhas visto, aposto. E ela está assim para ti. Porque te quer surpreender com as escolhas que faz, porque quer ser a mulher mais bonita do mundo para ti. És um sortudo que nem te conto...fá-la feliz. Sejam felizes os dois. Unidos, agora, pelo casamento.
Espero que o dia culmine com um beijo apaixonado. Com o momento em que se entregam um ao outro a primeira vez como casados e que sintam que nada mudou. Que continuam a ser exactamente os mesmos, que sejam para sempre assim. E, amanhã, têm o primeiro dia do resto das vossas vidas. Lado a lado, construam o vosso amor ou continuem a construi-lo. Será ele que vos vai manter firmes.
Desejamos as maiores felicidades para vocês. Façam-se felizes um ao outro.

E viva os noivos!
Um grande beijo, dos teus pais.

Sergio olhou para Ana que, num misto de choro e sorrisos o olhava.
- Esta carta pertence, como perceberam, aos pais da Ana. Achei que seria importante tê-los, desta forma, no nosso casamento. Obrigado – todos os convidados aplaudiram e Sergio sentou-se ao lado de Ana – espero que...
- Foi muito bom, Sergio – Ana levou as suas mãos à cara do marido, beijando-o.
O dia esteve sempre envolto num misto de emoções. Houve sempre uma felicidade enorme estampada no rosto dos dois. Houve dança, muita dança. Ana sentia-se a mulher mais feliz do mundo. E Sergio, o homem mais feliz que a acompanhava num mundo só deles. Não poderiam ter terminado o dia do casamento de ambos da melhor forma sem ser com um fogo de artificio mágico, que cobria os céus preenchendo-o com cor. Foram muitos os beijos que Ana e Sergio trocaram, eram os primeiros enquanto marido e mulher.



- Vá, Ana! Não podemos andar sempre a ligar à Miranda, não é? – perguntou Sergio, olhando para a mulher que terminava a chamada com a amiga.
- Eu sei, eu sei...mas eu só precisava de saber se ele estava bem...
- É claro que está. Tem a madrinha, o Xabi e os meninos...mais mimado não poderá ser. Vamos aproveitar os nossos sete dias de lua-de-mel, por favor?
- Tens razão, tens razão. Desculpa.
- Vou buscar o nosso almoço! E tu livra-te de ligares novamente à Miranda.
- Achas que eu ligaria duas vezes seguidas? – Ana olhou-se, percebendo que Sergio se ria – ai tu achas!
- Claro que acho – antes de se dirigir ao bar da praia, Sergio beijou a mulher – lua-de-mel, sim?
- Sim! – os dois riram-se e Sergio ausentou-se.
Ana aproveitou para fotografa aquela paisagem que tinha na sua frente, fazendo um pacto consigo mesma e as redes sociais. 

Estamos desligados de tudo até sairmos deste pedaço de paraíso. 
A partir daquele momento, Ana iria dedicar-se apenas a ela e Sergio, à lua-de-mel e só se telefonar de vez em quando para Miranda. Estavam no México, tinham de aproveitar os sete maravilhosos dias a sós. Os sete dias enquanto casal, um casal que se casou. 



Olá meninas! 
Ao fim de 65 capítulos, 384 comentários e mais de 22.800 visualizações do blog eis que chegou o dia que completa três anos de fic! Pois é, a Veo completa hoje o seu terceiro aniversário. Avisei, há uns tempos, que a fic iria entrar nos seus últimos capítulos mesmo que não soubesse quando seria o fim. Isso mantém-se. A Veo irá acabar, mas eu não sei quando. 
Prometo que este não é o último e que, pelo menos, até ao 70 eu já tenho capítulos programados (só me falta escrevê-los). A partir de agora sei que a história irá entrar numa nova fase e isso ainda me irá dar alguns capítulos para escrever. 
Espero que tenham gostado deste capítulo, fico a aguardar os vossos comentários com as vossas opiniões. E obrigada a quem, ao longo destes três anos, esteve aí desse lado a acompanhar a história e a quem ainda não desistiu dela. 
PARABÉNS VEO! 
Beijinhos,
Ana Patrícia.

PS: Já repararam no novo fundo? Que acham? Novo ano, novos fundos em todos os blogs. Não só este já está alterado como os das outras fics ;)