sexta-feira, 28 de março de 2014

47 - "O Mario ainda não pôs cá dentro nenhuma semente!"

- Estavas à espera desta visita? - Mario perguntou, quando Ana parou o carro.
- Não... - Ana tinha sido apanhada completamente desprevenida. Não esperava ver Pilar até que o seu tratamento acabasse mas, ao mesmo tempo, estava contente por a ver ali. E ela, Pilar, estava um pouco mais feliz do que a tinha visto no dia em que a tinha ido visitar a Málaga.
Ana saiu do carro indo ajudar Mario com as muletas. Depois de ele estar fora do carro o seu pensamento virou-se para Pilar. Caminhou na direcção dela, que estava acompanhada pelos pais.
- Buenas noches! - Antonella saudou Ana, abraçando-a.
- Buenas noches... Não estava à espera de vos ver por aqui.
- Os médicos deram-me três dias em sociedade... - Pilar respondeu à dúvida de Ana e foi ter com ela, abraçando-a também.
- Isso é muito bom!
- É...estar lá fechada já começa a chatear.
- E...como é que estás?
- Quase a 100% - Ana aproveitou para cumprimentar Paco e receber Mario junto dela.
- Isso quer dizer que o tratamento está a dar efeito...
- Sim. E é tão bom poder sair de lá. É sinal que me estão a dar confiança e acreditam que já posso sair mais vezes.
- Irás sair muitas mais vezes. E ainda vais passar o Natal em casa.
- Era o que eu mais queria... - Ana e todos os presentes conseguiam ver o brilho que aqueles olhos, que nem são verdes, nem são azuis, transmitiam. Aqueles olhos brilhavam com esperança, com a esperança de mais tarde ou mais cedo sair definitivamente do centro.
- Bom...apresento-vos o Mario, o meu...namorado. Mas talvez seja melhor entrarmos que está frio, no?
- Sim, sim... - Ana passou à frente de todos e, enquanto cumprimentaram Mario, ela abriu a porta. Todos entraram e encaminharam-se até à sala. A Miranda, o Xabi e os meninos ainda não tinham chegado...o mais provável era que tivessem ido jantar.
Mario sentou-se no sofá ao lado de Ana que o "obrigou" a colocar o pé em cima da mesa de centro. Para que, assim, a sua perna permanecesse direita.
- Vão ficar, então, três dias? - perguntou Ana.
- Sim...a ideia era estar com vocês...com a minha filha - respondeu Pilar. Antonella olhava atentamente para Ana e um sorriso estava formado nos seus lábios. Ela via que Ana estava feliz e isso, por si só, já a deixava muito mais feliz.
- Nós acabamos de chegar do hospital...a menina foi com o Sergio, mas eu vou ligar-lhe para ele vir cá deixá-la. Assim estás com ela e até a podem levar para passarem a noite.
- Isso seria óptimo, Ana.
- Eu vou só ligar ao Sergio, então - Ana ausentou-se da sala, deixando os quatro para trás.
- É muito grave a lesão, rapaz? - perguntou Paco.
- Ao inicio pensava-se que sim, mas os ligamentos não se romperam...dois meses de paragem.
- Vais ver que passam num ápice - Paco tentou animá-lo e Mario agradeceu. Antonella decidiu entrar por outra via da conversa...à qual Mario se sentiu à vontade para falar.
Enquanto isso, Ana falava com Sergio.
"- Sim, está tudo bem. Ela já comeu e ia adormece-la. E vocês, como estão?"
- Está tudo bem...não chegou a romper os ligamentos.
"- Isso reduz o tempo de paragem."
- Sim...dois meses, se Deus quiser. Sergio, eu estava a ligar porque a Pilar está aqui com os pais.
"- A sério? Mas...ela está bem?"
- Sim...acho que só a vi assim no dia em que a Esperanza nasceu...ela está feliz e pronta para seguir uma vida normal, pelo que parece.
"- Que bom..."
- Eu queria pedir-te uma coisa...
"- Queres que leve a Esperanza..."
- Sim...é só para elas estarem juntas. Aproveitarem o tempo para serem...mãe e filha.
"- Claro! Eu vou, então, para aí. Estás onde?"
- Em casa...do Xabi.
"- Vale! 15 minutos e estou aí com a pequena."
- Obrigada, Sergio.
"- De nada."
Ana voltou à sala, apanhando a parte final de um discurso de Mario.
-... faze-la feliz é só o que quero.
- A Ana merece isso, Mario. De verdade - comentou Pilar.

- Uma pessoa sai por dois minutos e vocês começam a falar de mim? - Ana sentou-se ao lado de Mario, agarrando a mão dele, entrelaçando-a com a sua.


- Temos de assegurar que a tua felicidade está garantida...porque a mereces de verdade, Ana. Por tudo o que tens vivido, pelo que viveste e pelo que fizeste por quem te quis mal - Pilar respondeu directamente para Ana, olhando-a nos olhos - eu quero pedir-te desculpa...mas desculpa mesmo por tudo o que aconteceu entre nós.
- Pilar...já passou. A sério que já...da minha parte está tudo bem. O mais importante agora é que tu recuperes a 200% e que consigas retomar a tua vida, com a tua filha, os teus pais...e que não te esqueças de mim. Eu quero ficar nas vossas vidas.
- Claro que não nos vamos esquecer de ti...tens sido uma mãe para a minha filha. Não há obrigados que cheguem para te agradecer.
- Cura-te e sê feliz. É um obrigada suficiente.
- Irei fazer tudo para não te desiludir...tenho uma pergunta para ti.
- Diz.
- Aceitas ser a madrinha da Esperanza? Tens sido a mãe dela...se me acontecer alguma coisa sei que é contigo que ela deve ficar.
- Terei o maior orgulho em sê-lo - Ana levantou-se e foi até ao sofá onde Pilar estava, sentou-se ao lado dela e abraçou-a.
- Obrigada...por tudo, mesmo.
- Obrigada eu por teres colocado aquela menina nos meus braços - as duas olharam-se e as lágrimas estavam lá...mas eram de felicidade - ela está cada dia mais parecida contigo.
- A sério?
- Sim! É tão linda ela...é a bebé mais simpática que alguma vez conheci. Tem-se dado tão bem com o Mario, com os filhos do Xabi...é a princesa da casa.
- Mal posso esperar por vê-la...
- O Sergio deve estar a chegar - Pilar apenas tinha visto a filha três vezes, sem contar com o dia do parto. As visitas foram feitas de livre e espontânea vontade de Ana, mas os médicos acabaram por achar melhor que não se tornasse um hábito, já que Pilar regredia muito o seu estado cada vez que via a menina.
Os 15 minutos de Sergio transformaram-se em 25. Pontualidade não era, mesmo, o seu forte. Assim que o toque da campainha soou, Ana apressou-se em ir abri-la. Sabia que seriam eles, não faria sentido que fossem outras pessoas, não estava à espera de mais ninguém.
Ao abrir a porta confirmou as suas suspeitas. Sergio estava lá, com a babycoque pela mão esquerda.
- Entra - Ana deu passagem a Sergio e, depois de fechar a porta, os dois encaminharam-se para a sala - chegaram! - Disse Ana, animada.
- Buenas noches - Sergio colocou a babycoque em cima do sofá e cumprimentou todos, incluindo Mario.
- Ela adormeceu? - Ana perguntou, chegando perto de Esperanza. Retirou a pequena manta que cobria a babycoque reparando que Esperanza estava acordada e a mexer no brinquedo que estava preso na lateral – Olá minha bonequinha – Ana desprendeu Esperanza, pegando nela ao colo. Deu-lhe um pequeno beijo na testa e começou a mexer-lhe nas bochechas – sabes…a tua mamã está cá – Ana caminhou na direcção de Pilar, voltou a dar um beijo na testa da menina e entregou-a para os seus braços.
Pilar permanecia sentada, com a menina nos seus braços, e as lágrimas escorriam-lhe pelas bochechas. Qualquer um, ali presente, se tinha emocionado. E, apesar de a mãe já ter visto o seu rebento, são poucas as oportunidades que tinham juntas.
Ana olhou para Mario, que permanecia sentado em frente de Pilar, e, também ele, estava emocionado. Olhou para Sergio, que olhava para ela, e os dois sorriram. Ana fez-lhe sinal que se sentasse e ela sentou-se do lado de Mario, encostando a sua cabeça no ombro dele.
- É possível a menina reconhece-la como a mãe? – Perguntou Mario, reparando no mesmo que Ana reparava: Esperanza estava a interagir com a mão de Pilar, a fazer os barulhinhos dela, como que querendo dizer algo.
- Tenho quase a certeza que sim…elas estão tão felizes. As duas – Ana deixou escapar mais umas lágrimas, que não passaram despercebidas ao olhar atento de Mario.
- E…como é que estás tu a aguentar isto?
- Bem. Eu sei que a menina, mais tarde ou mais cedo, vai ter de ir embora. Eu tenho essa noção, mas…é minha, em certa parte. Mas, saber que estou a cuidar dela, a dar-lhe o amor que lhe dou…e, com isso, a dar um lar, é a melhor coisa.
- Tenho tanto orgulho em ti, minha bebé – Mario colou os seus lábios na testa de Ana, que rodeou, mesmo que sentada, a cintura de Mario.
- Ana… - Pilar deixara de olhar para a filha e concentrou-se em Ana – eu nunca terei mesmo palavras para te agradecer. Vê-la assim, saudável, feliz, perto de mim…é tudo graças a ti. E ao Sergio – Pilar olhava agora para Sergio – obrigada, mesmo depois de tudo o que te fiz, por estares a cuidar também da minha filha.
- Não tens que agradecer. Toda a iniciativa foi da Ana, é certo, mas eu apoiei e sempre cuidei da menina como se fosse nossa filha – Sergio e Ana olharam-se e, na cabeça de ambos, as coisas estavam bem claras: eles estavam feitos para serem um do outro. Mas, neste momento, apenas como amigos. Ou quase isso.
- Eu já perguntei à Ana…mas agora chegou a vez de te perguntar a ti: aceitas ser o padrinho da menina?
- É claro que sim!
- Assim sei que, se me acontecer alguma coisa, ela tem as melhores pessoas junto dela. Os avós, os padrinhos, o Mario, a Miranda, o Xabi…eu serei eternamente grata a todos vós.
- Pilar… - Ana levantou-se e ajoelhou-se em frente de Pilar – tudo o que fiz foi porque pensei no que eu passei…no que é crescer num sítio onde ninguém nos dá colinho como uma mãe dá. Por isso, eu só agi como uma mãe…sempre estive pronta para o ser…ultimamente mais do que o normal.
- Considera a Esperanza como uma filha…tens sido a mãe dela.
- Não…a mãe dela és tu. Eu sou uma tia babada, louquita que vai com ela às discotecas quando for grande – a gargalhada foi geral, mas Ana estava desfeita em lágrimas.
- Não chores… - disse Antonella, que estava ao lado da filha, colocando a sua mão em cima da de Ana.
- Eu sou muito lamechas, Nella…muito mesmo! E depois tenho hormonas descontroladas é o que dá – todos os olhos naquela sala estava a olhar para Ana. O silêncio era total e apenas se ouviam os barulhos vindos de Esperanza.
- Tens alguma coisa para contar? – Perguntou Pilar, tentar satisfazer a curiosidade de todos.
- Não! Ai não! Eu não estou grávida, sou muito fértil mas grávida não. O Mario ainda não pôs cá dentro nenhuma semente! – Mais uma vez todos se riram, incluindo Sergio.

Enquanto Ana preparava o saco de Esperanza no seu quarto com Pilar e os pais dela, Sergio e Mario ficaram pela sala. Os dois. Sozinhos.
Inicialmente ficaram ambos bastante constrangidos. Mexiam nos telemóveis e olhavam em redor, mas Mario acabou por iniciar uma conversa entre os dois.
- Gostava que soubesses que tudo farei para que a Ana não se magoe nestes tempos…
- E, porque é que me estás a dizer isso? – Sergio estava surpreendido, olhou para Mario cruzando as pernas e encostou-se no sofá.
- Porque sei que gostas dela, que ela gosta de ti. Sei que te preocupas com o bem-estar dela…porque tu a amas, tal como eu amo.
- Mario, eu estou com outra pessoa também, eu não estou com a Ana. Tu é que estás, não me tens de dar satisfações.
- Apenas quis que assim fosse…porque, apesar de eu agora estar com ela, eu sei que ela não te esqueceu ainda. Eu sei que ela ainda sente algo por ti. Caso contrário já me teria dito que me ama – aquela era uma das faltas que Mario sentia na sua relação com Ana. A falta daquelas três palavras, daquelas sete palavras, daquela expressão que significaria o que Ana sente por ele. Mas, ao mesmo tempo, Mario sabe que é cedo para isso. Podem estar juntos à mais de dois meses, mas é tudo muito recente.
- A Ana não diz isso com facilidade…são precisos factos para que ela diga. Tens de lhe dar tempo…mas acredita que ela te ama, mais do que talvez tu pensas.
- Como é que podes ter tanta certeza?
- Na maneira como ela te olha, na maneira como ela te toca, na felicidade que ela tem naquele rosto, naqueles olhos. Tu fazes a Ana mais feliz do que eu alguma vez a vi. E ela merece isso. Ela estava mesmo preocupada que estivesses com uma lesão grave.
Mario estava surpreendido por estar a ter tal conversa com Sergio. Ambos sabiam que tinham uma ligação à mesma pessoa, quase a mesma relação de afecto.
- Tenho quase a certeza que ela contigo era tão ou mais feliz.
- É diferente, Mario. Eu não vou negar: eu amo-a. Muito mesmo. Mas neste momento somos amigos, temos uma afilhada a cuidar…mas cada um seguiu com a sua vida. E estamos felizes com essa vida.
- Como é que estás tão na boa?
- Porque quero o melhor para ela, o melhor para mim. E nós os dois juntos, depois da morte do Santiago…não éramos o melhor um para o outro. E…mais cedo do que penses ela vai dizer-te o que esperas ouvir.
- Obrigado…
- Não tens nada que agradecer…até foi bom termos esta conversa – Sergio esticou a sua mão na direcção de Mario, que a apertou. Os dois acabaram por se sentir mais descansados, já que tinham conversado sobre este assunto.
Nesse momento surge, de repente, Ana na sala. Vinha com pressa, mas ao ver os dois a trocarem um aperto de mão, parou, congelou e apenas olhou para aquele retrato. Mario e Sergio olhavam para ela e largaram a mão um do outro.
- Podem continuar…por mim, estejam à vontade, mas não pensem que se juntam os dois contra mim! – Ana cruzou os braços ficando a olhar para eles.
- Estivemos só a resolver umas coisas… - disse Sergio.
- E isso só me faz gostar ainda mais de vocês. Mas Sergio, nada de roubares namorados alheios! – Os dois riram-se e Ana quebrou, finalmente, o ar de durona com uma gargalhada – Estás com dores, Mario?
- Não…está tudo bem.
- Pronto…mas se precisares de alguma coisa chama-me.
- Eu também estou aqui, sabes? – Perguntou Sergio, apontando para ele.
- Tu…sim pronto. Eles também estão quase. Vou lá acima então.

Ana fechava a porta de casa, depois de se ter despedido de Pilar, os seus pais e Esperanza. A menina iria passar estes três dias com eles. Ana não podia mentir, era estranho ver Esperanza a ir embora…mas era para o seu bem, para estar com a sua mãe. E os seus avós.
Voltou à sala, onde permaneciam Mario e Sergio, agora sentados em sofás diferentes. Ana sentou-se ao lado de Mario voltando a repetir um gesto que já lhes era tão normal: entrelaçarem as suas mãos uma na outra.
- Custou, não custou? – Perguntou Mario.
- Um bocadito…mas já passa.
- Tia galinha – atirou Sergio.
- Cala-te! – Ana atirou-lhe com uma das almofadas que tinha do seu lado e Sergio preparou-se para fazer o mesmo – Nem penses! A Miranda está a chegar e se isto está uma confusão quem ouve sou eu.
- Eles foram jantar fora? – Perguntou Sergio, pousando a almofada.
- Acho que sim, o Mario é que falou com ela. Agora liga sempre para ele…diz que eu ando sempre com as mãos ocupadas – uma outra saída própria de Ana Filipa Moreira. Sergio tinha uma expressão de quem se iria desmanchar a rir e, quando Mario riu que nem um tonto, Sergio acabou por o fazer também – seus badalhocos! Eu tenho mãos ocupadas a mexer no computador, na comida, na bebé! Nada disso que vocês estão a pensar!
- É…diz que não – Mario não resistiu e acabou por dizer aquilo que lhe passou pela cabeça. Óbvio que os três se riram, ao mesmo tempo que ouviram a porta a abrir.
Repararam que estavam muito calados. Não se ouviam os meninos a falar, nem Miranda e Xabi. Quando o casal chegou à sala foi perceptível o porquê: Ane e Jon estavam a dormir. Jon vinha ao colo de Xabi e Ane ao colo de Miranda.
Xabi apenas fez sinal que os iam colocar aos quartos e os três aguardaram pela chegada deles à sala.

Ana e Mario decidiram ir dormir a casa de Mario. Visto que amanhã é dia de trabalho para Ana, estar em casa de Mario significaria que podia dormir mais meia hora, uma vez que as instalações do jornal serem mais perto.
O dia tinha sido extremamente longo, tanto um como o outro estavam demasiado cansados. Ana decidiu ir preparar uma espécie de ceia para levar para o quarto e, assim, aconchegar o estômago. Preparava umas torradas e café com leite. Estava frio e só lhe apetecia coisas quentes. Fazia a dobrar porque sabia que Mario lhe ia acabar por “roubar” aquilo que tinha preparado.
Ana sentia-se extremamente bem e feliz consigo própria. E isso notava-se, era óbvio a qualquer pessoa que a conhecesse. Enquanto preparava tudo e, pensando que Mario tinha ido para o quarto, cantava: Alicia Keys – Girl On Fire. Há imenso tempo que não cantava…o que gostava. Eram músicas para adormecer Esperanza, em espanhol, e pouco mais. Só à pouco tempo é que essa vontade de cantar tinha voltado.
Mario, estava a preparar-se para ir para o quarto (por sorte vivia numa casa que não tinha escadas) quando ouviu Ana a cantar. Já a tinha ouvido cantar, as tais músicas infantis e sempre muito baixinho. Mas hoje, hoje Ana cantava como se os pulmões estivessem com um novo ar.
Mario foi até à cozinha e encostou-se à ombreira da porta. Ficou simplesmente a mirá-la. A ouvi-la.

Looks like a girl, but she's a flame (Parece uma rapariga, mas ela é uma chama)
So bright, she can burn your eyes (Tão brilhante, ela pode queimar os teus olhos)
Better look the other way (É melhor olhares para outro lado)
You can try, but you'll never forget her name (Podes tentar, mas nunca esquecerás o seu nome)
She's on top of the world (Ela está no topo do mundo)
Hottest of the hottest girls say (A mais sexys das raparigas sexys, dizendo)

Oh, we got our feet on the ground (Oh, nós temos os nossos pés no chão)
And we're burning it down (E estamos a queimar tudo)
Oh, got our head in the clouds (Oh, temos as nossas cabeças nas núvens)
And we're not coming down (E nós não vamos descer)

This girl is on fire (Esta rapariga está em chamas)
This girl is on fire (Esta rapariga está em chamas)
She's walking on fire (Ela caminha sobre o fogo)
This girl is on fire (Esta rapariga está em chamas)

Ana estava a cantar tão despreocupada sentindo-se, de novo, a Ana. Aquela que cantava a toda a hora e segundo. Pegou no prato das torradas para o ir colocar no tabuleiro quando repara em Mario.
- Que susto! – Ana levou a sua mão ao peito e sentiu que ele iria sair do seu peito. Pousou as torradas no tabuleiro e olhou para Mario – estás aí à muito tempo?
- À tempo suficiente para ouvir-te cantar tão bem.
- Que exagero!
- Olha…nem comento.
- Mas podias…
- Tu cantas super bem e acho que foi por isso que fizeste aquele dueto com o rapaz português.
- Como é que sabes disso?
- Eras noticia, sim? E eu acompanhava isso. Apenas por curiosidade.
- Muito me contar… - Ana estava surpreendida, afinal Mario seguia as noticias da imprensa cor-de-rosa e sabia detalhes da sua vida que ela pensava que ele não sabia. Ana pegou nas duas canecas de leite e colocou-as também no tabuleiro, pegando-o de seguida – vá, anda lá que estás aí em pé à imenso tempo.
- Não é assim tanto…
- Anda lá, vá – Ana fez sinal com a cabeça para que Mario passasse à sua frente e os dois foram até ao quarto.
Quando lá chegaram, Ana pousou o tabuleiro em cima da cama e ajudou Mario a sentar-se. Ele, sozinho, despiu-se e acabou por se deitar (já era hábito dele dormir apenas de boxers, mesmo no inverno). Ana vestiu o seu pijama (que era apenas uns calções e uma camisola de manga comprida) e ajoelhou-se em cima da cama, ao lado de Mario e do tabuleiro. Mario já comia uma das torradas enquanto Ana simplesmente olhava para ele.
- Tenho alguma coisa na cara? – perguntou ele.
- Não…
- Então porque é que estás a olhar para mim à quase dois minutos?
- Não posso?
- Podes…eu não disse isso.
- Eu sei…Mario?
- Diz.
- Importaste-te que eu te apresentasse à Pilar e aos pais como meu namorado?
- Não…surpreendeste-me, foi bom, mas eu ainda não fiz o pedido.
- E é preciso fazer?
- É…apenas estou à espera de…uma coisa.
- Acho que sei o que é. Acho que os últimos tempos tu me passaste a conhecer melhor que outras pessoas. Já deves saber que eu tenho certas dificuldades a dizer o que sinto às pessoas…sabes que nunca te disse o que sinto por ti…quer dizer eu disse. Mas não com aquelas palavras. As palavras certas, as palavras que tu mereces, as palavras que eu sinto, as palavras que têm de sair.
- Ana…tu não tens de dizer nada.
- Tenho…e se calhar não é o que estás à espera, mas eu tenho uma coisa a dizer-te.


Olá meninas! Sei que o capítulo está um pouco extenso, mas têm surgido ideias para esta fic que dão nisto. Sinto que a história está a ganhar uma nova vida e a entrar numa nova fase. E essa fase reflecte-se no quão bem eu me sinto ao escrever esta história. 
Espero que tenham gostado e que deixem os vossos comentários, quer sejam bons ou maus (porque sei que está grande o capitulo e pode ter perdido o interesse pelo meio).
Beijinhos. 
Ana Patrícia. 

5 comentários:

  1. Olá. Amei...amei...amei *.*
    Adorei a visita da Pilar e também do estado dela :)
    A cena com a Pilar, Esperança e Ana Moreira foi muito emocionante :')
    Adorei a conversa entre o Mário e o Sérgio e a reacção da Ana :P
    Espero pelo próximo sff, bjs

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  2. Olá!!
    O caputulo perder o interesse?? Nao!! Amei!! E ser grande nao faz mal nenhum!
    Adorei o reaparecimento da Pilar e aquele momento da Pilar com a esperanza foi tao mas tao lindo *_* E ela vai ter uns padinhos muito babados!
    Agora uma coisa que me surpreendeu foi a conversa entre o Sergio e o Mario! A verdade é que só se podiam dar bem:ambos querem o melhor para a Ana e o Sergio conseguiu ver qur o melhor para ela neste momento é o Mario! Mas foi lindo ver is tres juntos na boa e na risota! *_*
    E agora o que é que a Ana vai dizer ao Mario? Nao é aquilo que ele quer ouvir? Entao? Ai tou pa ver o que vai ser!
    Proximmooo!!!
    Besos,
    Sofia.

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  3. Olá!
    Para mim este cap confirmou as minhas "suspeitas": Ana e Sergio já não são nem vão voltar a ser o mesmo!
    Vê-se que a Ana esta muito mais feliz com o Mario e que já não sente nada (no sentido amoroso) pelo Sergio, caso contrário teria "reagido" a presença do Sergio, mas não, ele já não mexe com ela. E no início pensei que o Sergio ainda não a tivesse esquecido e que fosse sofrer, mas neste cap fiquei com a sensação de que ele também ultrapassou o que teve com a Ana, senão, por muito que quisesse que ela fosse feliz, nunca conseguiria assistir a tudo entre a Ana e o Mario!
    É estranho porque normalmente queremos sempre que o casal principal fique junto, mas acho que até sou capaz de me habituar a estes novos casais, apesar de ter saudades do outro :/
    Espero o próximo!

    Ana Santos

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  4. OLÁAAA :D
    Mario, Mario , Mario.
    Vá vamos começar pelo inicio. PIlar, isto foi lindinho, amei esta parte.
    Agora vamos passar à frente e MARIO E SERGIO , que conversa mais lindinha *.* , fiquei com aquele sorriso parvo na cara , é que foi tudo tão sincero e à gajo, sim porque só gajos é que têm assim esse tipo de conversas não é?
    E agora, e agora? Ana vai dizer tudo o que lhe vai no coração e vai ser tão lindinho de se ler .
    Mas sabes uma parte que mexeu muito comigo? «Sergio e Ana olharam-se e, na cabeça de ambos, as coisas estavam bem claras: eles estavam feitos para serem um do outro. Mas, neste momento, apenas como amigos. Ou quase isso.» , esta parte dá-me uma clareza incrivel das coisas *.* , estão destinados a serem um do outro mas não por agora.
    Agora há que viver a vida junto do Mario.
    Espero o próximo,
    Beijinhos, * Rita

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