segunda-feira, 15 de setembro de 2014

52 – “Tenho a tua companhia para o almoço?”

Ana desceu os dois pequenos degraus que se encontravam em frente da porta.
- Que é que estás aqui a fazer, Sergio? - era Sergio quem estava sentado num dos degraus, com os cotovelos apoiados sobre as pernas.
- Ana! - Sergio levantou-se ficando de frente para Ana - Estava à tua espera...
- Está tudo bem?
- Bom dia... - Sergio decidiu começar, de outra forma, a conversa entre eles.
- Desculpa...bom dia. Mas está tudo bem?
- Eu precisava de falar contigo...vais trabalhar?
- Sim...e não tenho muito tempo.
- Achas que podemos almoçar juntos? É que...eu preciso mesmo de falar contigo - Sergio agarrou na mão de Ana. Nesse momento os olhos dos dois ficaram presos nas suas mãos...há quanto tempo não faziam aquele gesto mas parecia que o sentimento era exactamente o mesmo. Voltaram a olhar um para o outro com um sorriso nos lábios.
- Tenho uma hora de almoço...acho que podemos almoçar, sim.
- Vou ter contigo à redacção?
- Não, não. Isso está fora de questão...e um café ou restaurante é complicado.
- Em minha casa...? - Sergio perguntou um pouco a medo.
- Em...tua casa? - Ana não sabia bem o que pensar no momento. E não sabia o que haveria de pensar.
- Sim. Lá podemos falar os dois à vontade.
- Mas...e a Mia?
- A...a Mia não estará por lá. Tenho a tua companhia para o almoço?
- Pode ser...acho que sim.
- Então...achas ou pode ser? - Sergio estava impaciente...via-se que ele queria, realmente, almoçar e falar com ela. Sergio precisava, e muito, de falar com Ana.
- Será. Vamos almoçar os dois...em nossa...tua casa! - Ana não tinha pensado naquilo que acabara de dizer. O "nossa" tinha saído de uma forma descontraída. Não tinha pensado no que disse...
Largou, imediatamente, a mão de Sergio completamente constrangida.
- É melhor eu ir...do meio-dia à uma é a minha hora de almoço...
- Encontramo-nos então a nessa hora...vais lá ter?
- Sim...se, por acaso, acontecer algo eu aviso-te.
- Espero que não aconteça nada...eu preciso imenso de falar contigo.
- Estás a preocupar-me...aconteceu alguma coisa?
- Aconteceu...mas falamos depois. Não quero atrasar-te - Sergio deu-lhe um pequeno beijo na bochecha, seguindo para o seu carro.
Ana observou-o...tinha saudades de ver Sergio pela manhã, tinha saudades de almoçar e jantar com ele, tinha saudades dos beijos dele, das festas que ele fazia na sua cara, dos arrepios que lhe causava quando mexia nas costas dela. Tinha saudades de tocar no rosto dele, de agarrar na sua mão quando se preparava para adormecer. Sentia falta de ver o reflexo do Sergio no espelho enquanto se arranjava de manhã, sentia falta de pequenas coisas que, por vezes, tem com Mario mas que são diferentes com Sergio.
Ana ama-o, disso não tem duvida. Sergio é uma peça mais que importante da sua vida, mas Mario também o é e ela também o ama. Se são de formas diferentes? Sim...mas nem sabe como as distinguir.


Ana conseguiu sair mais cedo do trabalho indo, imediatamente, para casa de Sergio e, assim que chegou ao portão de casa, tocou à campainha. Não obteve nenhuma resposta já que, no interior de casa existia uma câmara possibilitando a Sergio ver quem era, e este abriu o portão segundos depois.
Aquela casa trazia-lhe imensas recordações...na maioria boas, mas mesmo as más tinham feito com que Ana crescesse. Saiu do carro, reparando que o portão se fechava e ouviu a porta abrir-se. Olhou para lá, vendo Sergio de avental.
- Ana! - Sergio aproximou-se dela, cumprimentando-a com dois beijos na cara.
- Tenho direito a que faças o almoço e tudo?
- Sempre tiveste... - Seria de esperar que os dois ficassem constrangidos, mas não. Riram-se apenas começando a caminhar para dentro de casa.
Estava um dia frio e a diferença de temperatura do exterior para o interior foi notória. Sergio tinha a lareira ligada e cheirava a tomate misturado com o cheiro de carne.
- Fizeste ensopado? - Sergio colocou-se atrás de Ana, retirando-lhe o casaco - obrigada.
- Fiz.
- Cheira bem...
- Espero que gostes.
- Sabes, perfeitamente, que é o meu prato preferido que fazes...
- Gracias.
- De nada! - os dois foram até à cozinha, já que Sergio ainda estava a terminar o comer. Ana ficou a observa-lo enquanto falavam de Esperanza.
Depois de o almoço estar pronto, foram até à sala de jantar onde começaram a almoçar.
- Bom apetite - disse Sergio,
- Obrigada e igualmente.
- Obrigado.
- Sergio...qual é o motivo deste almoço?
- Eu acabei com a Mia - Ana foi completamente apanhada desprevenida. Não era daquilo que estava à espera.
- Acabaram?
- Sim...por causa de dinheiro. A Mia...era só mais uma a querer um financiamento para algo. Neste caso era para lançar a nova linha de sapatos e eu ajudá-la com a publicidade da marca - Ana estava estupefacta com o que ouvia...aos seus olhos a relação deles era bonita e sincera.
- Estou completamente surpresa...
- Eu ainda disse que a podia ajudar em parte do investimento mas não iria expor-me já em algo assim...se soubesses o escândalo que ela fez. Bem dizia a minha mãe para eu não avançar com ela.
- A Paqui não estava à aceitá-la?
- Não...a minha mãe só quer uma nora - Sergio ficou a olhar para Ana que lhe sorriu.
- A D. Paqui tem de ultrapassar a marca que eu deixei nela - Ana riu-se...não queria, na verdade, parecer enternecida com o que ele acabara de dizer.
- Nenhum Ramos Garcia é capaz de te ultrapassar...
- Sergio!
- Desculpa...tu tens namorado e eu não tenho de dizer estas coisas.
- Ando confusa desde o dia em que nos separamos...no que toca aos amores - sempre tinha sido fácil entre um e outro haver desabafos sinceros.
- Eu sabia! Eu juro que sabia que tu não me tinha esquecido!! - Sergio falava com certezas e com um sorriso enorme nos lábios. Tinha-se levantado e estava de joelhos junto a Ana - Porque estás com ele? Porque é que me deixaste ficar com a Mia?
- Como é que queres que eu esqueça tudo o que vivemos? É impossível. Mas...Sergio, eu amo o Mario mas...amo-te a ti e só te vejo a ti como o pai dos meus filhos, o marido, o homem que estará comigo no meu último suspiro.
- Como é que podes dizer essas coisas...e estares com o Mario?
- Porque...ai Sergio porque o Mario veio dar-me coisas que tu não davas, faz-me bem estar com ele. Eu amo o Mario, amo mesmo...mas é impossível esquecer o que tu és, o que foste para mim - os dois olhavam-se, mantendo uma proximidade que lhes era característica.
- Volta para mim... - as mãos de Sergio deslizaram pelas pernas de Ana, parando nas coxas dela.
- Não me peças uma coisas dessas...não dessa forma!
- Que forma?
- Estás a seduzir-me. Estás a tocar-me e isso desfaz-me por dentro. Cada toque teu...o de manhã e estes de agora, o teu toque faz o meu coração palpitar mais acelerado, faz com que as borboletas na barriga se manifestem e eu não quero, não posso, não devo trair o Mario - Sergio olhava-a de uma maneira estranha...parecia estar confuso - mas apetece-me... - Ana aproximou-se de Sergio, colocando as suas mãos na cara dele - apetece-me tanto que sejas bruto comigo em cima desta mesa, que me faças tua, que as horas passem e tu estejas em mim essas horas todas - Ana falava quase em sussurro. Era complicado, para ela, estar a assumir que queria ter sexo com Sergio, namorando com Mario.
Sergio levou as suas mãos até às costas de Ana, levantando-se. Pegou nela ao colo, colocando-a em cima da mesa. Prato, copo e talheres que estavam ali a incomodar foram derrubados por Sergio indo parar ao meio do chão e o inevitável aconteceu.
Os dois beijaram-se loucamente e as primeiras peças de roupa desapareceram dos corpos um do outro. Sergio retirou a camisola a Ana, que fez o mesmo com Sergio. Não o faziam há imenso tempo um com o outro mais parecia que era a primeira vez que o estavam a fazer. Sergio deitou Ana sobre a mesa, colocando-se em cima dela (neste momento agradeceria à sua mãe por ter escolhido uma mesa tão resistente). Beijou-lhe a barriga, o peito ainda coberto pelo soutien, deixou-lhe algumas mordidelas junto do pescoço e voltou a tomar conta dos lábios de Ana.
Ana arranhava as costas de Sergio...aquelas costas tão largas e musculadas. Ainda não tinham feito nada para além de se beijarem e Ana começava a sentir que iria ter imenso prazer com aquele momento. Sergio quebrou um pouco o beijo, olhando os olhos de Ana.
- Promete-me uma coisa.
- O que?
- Que no fim não dizes que foi um erro.
- Eu prometo...contigo nunca é erro nenhum - Ana envolveu o pescoço de Sergio com os seus braços, beijando-o.
Sergio não o queria fazer ali. Calmamente saiu de cima de Ana, pegando nela ao colo.
- E eu a pensar que era mesmo na mesa... - Ana rodeou a cintura de Sergio com s pernas, beijando-lhe o pescoço.
- Na cama conseguimos estar mais à vontade, mais tempo e mais brutos sem te aleijar.
- Passa na sala...preciso de mandar mensagem à minha chefe. Parece que a minha tarde vai ser bem mais interessante - Ana olhou para Sergio que a beijou.
Levando-a ao colo, os dois foram até à sala. Ana enviou a mensagem à chefe e foram, de seguida, para o quarto...aquele quarto onde passaram tantas noites. O quarto onde passaram o fim-de-semana mais feliz das vidas deles.
Ana fez Sergio deitar-se na cama, retirando-lhe as calças. Colocou-se em cima dele, dando-lhe vários beijos no peito e na barriga. Ana queria tê-lo em sua posse, queria ser ela a dominar. Fez a sua língua deslizar até à tatuagens que Sergio tem na zona dos boxers, olhando-o de forma atrevida.
Mexeu em Sergio mesmo por cima dos boxers, reparando que já estava bastante excitado. No momento seguinte fez os boxers mostrarem o que havia por detrás e tomá-lo para si.
- Eu disse que ainda ias andar com o Mario e estar na cama comigo...
Ana nada disse. Mordeu aquela zona sensível de Sergio, fazendo-o gemer. Sabia que era um misto de dor com prazer e não parou. Levou Sergio a implorar que ela parasse e ela parou. Parou porque queria que Sergio a levasse a ter prazer brincando apenas com ela.
Os dois conheciam-se, sabiam perfeitamente o que excitava um e outro usando e abusando dessa vantagem. Em vez de ir trabalhar, Ana passou a tarde com Sergio, naquela cama, naquele quarto, naquela casa. Tal e qual como se estivessem juntos, como se Ana não estivesse a namorar com Mario.

3 comentários:

  1. Olá!
    Mais uma que já tinha saudades!!! Ameiii!!
    O sergio voltou!! Eles voltaram a estar juntos e em grande! Mas coitado do Mario! E quando ela ta com o Mario tenho pena do Sergio! Eles os dois disseram coisas muy bonitas um ao outro!
    Ela...nao pode ficar com os dois?? xD era mais facil! Mas no pode! Olha já nem sei qual gosto mais! Gosto dos dois!
    Agora quero mais! Quero ver como é que vai ser depois desta tarde!
    Besos,
    Sofia

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  2. Holla :)
    Ahhhhhhhhhhhh :D :O...eu sabia que a Ana não ia resistir ao Sérgio e que iam acabar em cima duma cama ou mesa (tendo em conta que começaram em cima da mesa da sala) :P
    Espero que seja desta que a Ana deixe o Mário (tenho pena por ele)...mas ela AMA o Sérgio e ela ama-a a ela desde sempre e não podem estar separados por medos ou erros passados :)
    Próximo sff :)
    Bjs :*

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