sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

56 – “Isto vai ser mesmo uma conversa séria…”

- Está tudo bem? – Sergio ainda não tinha dito uma única palavra e já estava ao pé de Ana à quase cinco minutos.
- Espera…é que isto é uma conversa séria.
- Ai, vais ter uma conversa séria comigo… -
Sergio olhou para Ana, que estava sentada no cadeirão.
- Vou e tenho de começar – ele sentou-se ao fundo da cama, ficando de frente para Ana. Entrelaçou as suas mãos uma na outra, olhando para ela – o Iker já começou a mandar vir comigo…disse, e passo a citar, “beijos em directo é uma coisa à Iker” os dois riram-se em simultâneo. Era espectável que Iker tivesse uma reacção daquelas, mas ambos sabiam que era a brincar – Ana, eu agi de impulso – Estás…arrependido… - Mas não me arrependo nada daquilo que fiz – Afinal não estás! – Nós só nos podemos arrepender daquilo que não fazemos…e eu preciso de desabafar algo que está preso cá dentro à demasiado tempo…
- Isto vai ser mesmo uma conversa séria…
- Vai. No dia em que o Santiago morreu…senti-me mais vazio do que nunca. Eu amava o meu filho, mesmo que ele estivesse dentro da tua barriga. Eu já o amava como um pai ama um filho. E…não sei, não esperava aquela tua reacção…eu sei que sofreste, que sofrias em silêncio. Sei que não derramaste lágrimas na minha frente, mas que o fizeste horas a fio quando eu não estive –
Ana ouvia-o atentamente…doía, ainda doía e irá sempre doer falar, pensar ou ouvir falar de Santiago – mas, também sei que não fui um exemplo naquela altura. Tu precisavas de mim…e eu fui sair com os rapazes. Mas…acho que não soube o que fazer, o que dizer para te consolar depois daquela perda… - Ana baixou a cabeça, deixando-se mergulhar num choro compulsivo – ei…mierda… - Sergio levantou-se, foi até ela, ajoelhando-se junto de Ana. Colocou uma das suas mãos na perna dela, levando a outra até ao seu rosto – não chores…ou chora, como queiras…mas eu estou aqui. E preciso de continuar, pode ser? – Ana apenas acenou que sim com a cabeça, encostando a sua cara ainda mais à mão de Sergio. Sentir aquele calor que emanava da mão dele, fez com que ela fechasse, por breves segundos, os olhos – A nossa separação acabou por ser boa…foi, porque percebi o quanto te amo, a falta que me fazes quando não estás…e que não imagino a minha vida sem ti. Todas as decisões que tomámos depois disso…acho que foram tentativas para percebermos o que existia entre nós. Ana…eu amo-te como nunca amei ninguém, eu desejo-te como minha mulher, anseio o dia em que volto para casa e estás lá tu. Eu quero-te comigo. Eu preciso de ti comigo…
Ana olhava-o como se o seu mundo estivesse todo concentrado nele. Naquele momento parecia que nada tinha acontecido entre eles e que tudo se mantinha intacto.
- Todos os dias ainda dói pensar no Santiago, ver fotos da minha barriga, ver imagens das ecografias. Dou por mim a sonhar com o momento em que ele nascia, o momento em que o segurava nos meus braços…o momento em que tu pegavas no nosso filho… - Contrariamente ao que pensou, estar a desabafar com Sergio estava a ser como um peso que saia de cima dela, era como se, se estivesse a soltar – Eu acho que não soube lidar com a morte do menino…eu não estava à espera que, no sexto mês de gravidez, ele fosse embora. Mas, desculpa se parecer muito mau da minha parte, mas eu acho que…o nascimento dele não estava planeado. Porque nós não planeamos ser pais, porque nós…precisávamos de crescer – Ana fez uma pequena pausa, limpando as lágrimas grossas que lhe caiam pela cara – hoje tu tens 28 anos, eu 25 e, tenho a certeza que crescemos. Consegui associar a minha imagem ao jornalismo espanhol, consegui estabilizar a minha vida profissional e familiar…e tu…fizeste o mesmo. Afirmaste-te ainda mais no Real e a tua carreira está no auge. Se calhar…não era a altura certa para termos um filho.
- Eu concordo contigo… - Sergio viu que Ana ficou surpreendida com aquela afirmação dele – Até teres aparecido na minha vida, eu nunca tinha pensado em ter uma relação estável, muito menos em ter um filho. Mas eu amava e amo o Santiago. Faz parte de nós, não o podemos apagar das nossas memórias. Mas temos de fazer dele…algo bom. E chorarmos de felicidade e amor e não porque estamos tristes e com saudades. Achas que conseguimos?
- Quero acreditar que seremos capazes disso, sim.
- Ana…?
- Sim?
- Como é que ficamos, agora? –
Aquela era A pergunta. Aquela pergunta que Ana sabia bem como responder, mesmo que tivesse as suas dúvidas.
- Agora…podemos começar por voltar um para o outro. Chega de estar neste impasse, chega de querer estar contigo e pensar naquilo que vão escrever sobre nós. Eu quero-te, mais do que nunca, e tenho a certeza que és o homem que está na minha vida para ficar – Ana levou as suas mãos à cara de Sergio, aproximando-se dele – agora…vamos ser felizes de uma vez por todas.
- O nosso recomeço dá-se, aqui, neste momento?
- Dá-se sim e é melhor ires a correr lá para baixo porque estás atrasado para o treino, Sergio –
Sergio olhou para o relógio, percebendo que estava mesmo atrasado.
- Joder! Estou mesmo atrasado…posso vir ter contigo depois?
- Deves! É que deves mesmo! –
Ana beijou-o…queria tanto prolongar aquele beijo mas, como ele estava com pressa, acabou por ser mais curto que o esperado.



Mundial 2014 para a Espanha? Um fiasco completo. Em três jogos realizados, perderam dois (5-1 contra a Holanda e 2-0 contra o Chile) e ganharam apenas um (3-0 contra a Austrália). O desagrado era geral. Tanto a equipa, como os técnicos e, sobretudo, os adeptos da selecção espanhola não ficaram nada agradados com aqueles resultados e o afastamento precoce da selecção de um Mundial.
Para Ana a estadia no Brasil tinha terminado no dia em que a selecção foi afastada, já que ela estava destacada apenas para aquela selecção. Entrou, por isso, de férias mais cedo, aproveitando-as com Sergio.
Optaram por ir de férias para o México. Ana percebia que Sergio andava frustrado e, até, triste e aquelas férias serviam para duas coisas: Sergio esquecer o que se tinha passado no Mundial e os dois terem tempo a sós, onde só eles dois importa.
- É bom que ainda não tenham dado conta que estamos juntos… - comentava Sergio quando os dois estavam a preparar-se para ir jantar.
- Já sabem, Sergio…em que mundo é que vives?
- Já?
- Sim…saiu nas notícias à uns dias atrás. Não viste?
- Não. Porque é que não me disseste?
- Olha, coração, pensei que tivesses visto…
- Então até posso fazer o que tinha pensado fazer…
- Que é?
- Espreita o twitter e logo vês –
Sergio levantou-se, indo até à casa de banho. Ana, curiosa, pegou no seu telemóvel abrindo o twitter. E percebeu logo o que ele tinha feito.

A melhor companhia destas férias. És, de novo, minha. Sabem quem ela é, não sabem?


- Os nossos seguidores dizem que é a Megan Fox que está a passar férias contigo…
- Estás a falar a sério? –
Sergio saiu da casa de banho, ajeitando as calças.
- Não. Eles dizem que sou eu e são super queridos.
- E…Ana?
- Sim?
- O Mario disse mais alguma coisa?
- Deu-me os parabéns pelo trabalho no Mundial, pediu-me desculpa mas não disse nada mais.
- Talvez devesses resolver as coisas com ele.
- Sergio…
- É verdade, Ana. Ele é boa pessoa…e, acredito que ele sofreu com a vossa separação.
- E tu não ficas com ciúmes se eu for falar com ele? –
Ana sabia que Sergio sempre teve ciúmes de a ver falar com rapazes. Já quando estavam juntos com alguns jogadores do Real era a mesma coisa. Ana foi até ele, rodeando o pescoço de Sergio com os seus braços.
- Eu não tenho ciúmes…
- Ai isso é que tens!
- Tinha. Hoje eu sei que não tenho razões para isso… -
Sergio rodeou a cintura de Ana, beijando-a sem pressa nenhuma.
Ana acabou por quebrar o beijo, já que estava a morrer de fome. Os dois desceram até ao restaurante do hotel, onde jantaram num ambiente muito agradável.
Quando terminaram a refeição, como ainda era cedo, aproveitaram para dar um curto passeio pela praia que se encontrava em frente do hotel, regressando ao quarto quando começaram a sentir frio.
- Sergio…preciso de ter uma conversa contigo… - Ana já andava para falar com Sergio à algum tempo e nunca tinha a coragem de o fazer. Mas sentia que, aquele era o momento certo do recomeço da relação deles para falarem.
- Diz.
- Vamos sentar… -
Ana agarrou na mão de Sergio, levando-o até ao pequeno sofá que se encontrava na varanda do quarto. Sergio sentou-se e Ana sentou-se no colo dele, olhando-o nos olhos – Conhecemo-nos à quase dois anos e…nestes dois anos, muita mas muita coisa aconteceu. Eu não sei se me irei precipitar com tudo o que se vai passar a seguir…mas sinto que precisamos deste passo na nossa vida. E, neste momento, ainda mais.
- Não estou a entender…
- Espera…Sergio, quando eu estive com o Mario, eu passei uns dias com febre e, num desses dias, eu sonhei contigo. Que tinhas entrado na casa do Xabi, que me tinhas seduzido e eu acabei por voltar para ti –
Ana e Sergio esboçaram o sorriso e Ana levou as suas mãos ao peito de Sergio – eu não uso o anel que me deste, o nosso anel de namoro e da tua família, por acaso. Eu digo que é pelo significado que tem, e também é, mas é algo mais. Nesse sonho…pediste-me em casamento. Eu aceitei. E hoje… - Ana olhou para a mão que tinha o anel, assegurando-se que ele não tinha saído do sítio. Voltou a olhar para Sergio, respirando fundo – hoje sou eu que te quero pedir que cases comigo. É um passo importante, um passo decisivo na nossa vida…e eu quero mesmo tornar-me tua por completo. Deixar de ser a Ana Moreira e ser a Ana Ramos. Ser a tua mulher todos os dias, ser a tua mulher todas as noites. Nos momentos bons e nos maus, nas vitórias e nas derrotas…e já devias ter interrompido o meu discurso e eu estou a entrar em pânico com a tua cara de assustado – Sergio acabou por se rir, levando as suas mãos à cara de Ana.
- Neste momento, não sei ao certo o que dizer. Apenas que te amo, que quero que sejas completamente minha e sim…eu quero casar contigo.
- E agora há mais uma coisinha…por isso não te espeto já um beijo.
- Há mais?
- Há. E…é algo importante demais, é algo que me está a meter medo, que me enche de receio…
- Fala Ana…estás a assustar-me.
- Acontece que…eu e tu não é igual a dois. Nunca foi e nunca será.
- Que?
- Oh Sergio…eu estou com medo da tua reacção…
- Fala. Somos noivos, agora… -
Sergio roçou com o seu nariz no de Ana – é só mais uma prova que podes confiar em mim.
- Acho que és demasiado fértil e…deixaste uma sementinha à cinco semanas dentro de mim – Ana foi surpreendida pela gargalhada que Sergio soltou. Sergio riu-se, mas depois acabou por olhar para ela mantendo o sorriso nos lábios – eu não estou a brincar, sabes? Não sei porque é que estás a rir…
- Porque a maneira como me dizes que estás grávida é engraçada.
- Não tem graça nenhuma…
- Ei… -
Sergio levou as suas mãos ao pescoço de Ana, olhando-a fixamente – vamos ser aquilo que sempre fomos: cuidadosos. Vamos ter ainda mais cuidado com essa vida que cresce em ti, vamos ter ainda mais amor para lhe dar. Vamos, por favor, não ter medo dele.
- E se…volta a acontecer o mesmo?
- Não podemos pensar nisso agora…já fizeste exames e ecografias?

- Sim…e está tudo bem. Mas também estava tudo bem com o Santiago…
- Ana…eu não te vou mentir. É claro que também tenho medo…mas quero ter mais amor por ele do que medo. Vamos viver um dia de cada vez e…vamos ser pais –
Sergio não hesitou em beijá-la. Os dois estavam felizes…com medo, como qualquer outro casal que passasse pelo mesmo que eles passaram, mas com esperança que, a partir de agora, o futuro deles iria ser ainda melhor do que os tempos em que estiveram juntos no passado.

4 comentários:

  1. Sensacional, amei <3
    Adoro ter o casal maravilha de volta, que sejam muito felizes
    Quero mais e rapidamente por favor
    Fico à espera...
    Beijinhos
    Nana

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  2. Hola :)
    Aí qui mi morro :O *.*
    Parece que temos casamento e gravidez :D
    Bem que este casal merece :)
    Próximo sff :+

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  3. Olá!
    Ai mas eu tenhi de dizer isto de novo...o que eu andei a perder?!
    Eles vão casar e...ela ta gravida!!!
    Duas boas notícias assim de uma vez!
    Vou ler o seguinte!

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