segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

4 - Pedir demais

Depois de uma manha sem sairmos do quarto lá acabamos por sair do nosso pequeno refúgio nocturno e fomos almoçar fora. Estava super frio, como seria de esperar…



- Acho que me estava a habituar à ideia de ficar no quentinho – comentei quando chegamos junto do carro do Sergio.
- Estavas era a habituar-te a mim – dito isto puxa-me pela gola e rodeia-me com os seus braços – confessa lá. 
- Também… - dei-lhe um beijo que, como já estava a ser costume, prologou-se mais do que o que devia – já me comecei a habituar de mais a esta situação. 
- Podes não ir embora…
- É… e era mesmo nesse momento que o meu chefe me metia a fazer trabalhinhos de porcaria…
- Realmente…mas podes vir cá sempre que precisares. 
- Que precisar? 
- Sempre. 
- Vou ter isso em consideração.
- Mas vamos lá almoçar que dois corpinhos como os nossos têm de se alimentar bem – e com o comentário dele desmanchei-me a rir.
Ele entrou na brincadeira e fomos almoçar.
O Sergio levou-me a um restaurante diferente do da noite anterior. Este era mais simples, indicado para o verão, com aquela esplanada linda era mesmo de almoçar na rua, mas com o friozinho que se fazia sentir optamos mesmo por ficar dentro do restaurante.

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Passamos um belo almoço mas despachamo-nos mais neste almoço do que no jantar da noite passada.
- Vai entrando, preciso de ir ali à garagem – o Sergio passou-me as chaves de casa, eu fui até à porta enquanto ele foi até à garagem.
Cheguei à porta e, ao olhar para o imbróglio de chaves que aquele porta-chaves tinha, primeiro que achasse a chave certa para entrar em casa…decidi esperar que o Sergio chegasse para ser ele a abrir a porta.
- Não me digas que não conseguiste achar a chave… - começou ele chegando ao pé de mim.
- Nem tentei…iria demorar tempo a experimentar quase todas…assim é mais rápido não?
- É a maior – era mais que óbvio, sinceramente Ana Moreira…
- Podia não ser… - comecei a colocar a chave na porta e o Sergio começou a fazer-me cócegas…coisa que eu odeio. Assim que consegui abrir a porta andei um pouco mais rápido para que ele não continuasse a fazer-me cócegas, mas, ao contrário do que pensei, ele correu até mim e vinha decidido em continuar.
- Nem penses Sergio! – Desatamos os dois a correr que nem dois putos pela casa, até que, numa tentativa de me esconder dele, fui para à sala mais dourada que alguma vez tinha visto. Eram onde estavam os prémios que ele tinha ganho – wow.
Ele, que ainda vinha meio lançado da corrida, colou-se a mim com um impacto bem bom, agarrando-me pela cintura.
- Tens aqui uma bela colecção tu…
- Nada que não tenha conseguido sem os meus colegas.
- Fogo…aposto que nem o CR7 tem tudo tão arrumadinho como tu. 
- Ele tem…acredita.
Aproveitamos e, já que ali estávamos, fizemos uma ronda a todos aqueles prémios. Ele mostrava-mos, orgulhoso de si e dos seus companheiros de equipa.
Enquanto eu dei uma segunda volta por todas aquelas estantes, ele sentou-se em frente do computador a responder a uns emails.
Acabei por ir para junto dele. Sentei-me em cima da secretária, ao lado da cadeira onde o Sergio estava sentado.
- Muito trabalho? – Perguntei.
- Só alguns emails do meu agente… - ele acabou de escrever e reparei na fotografia linda que ele tinha em cima da secretária. Peguei nela, para ver melhor.



- Tens semelhanças com os teus dois pais – ele olhou-me, aproximou a sua cadeira de mim, colocando as suas mãos nas minhas coxas – é a tua sobrinha?
- Sim. A Daniela.
- É muito bonita, como a tua mãe e o teu pai.
- Tenho a quem sair…
- Olha…não sei se eles são assim tão convencidos.
- Aposto que também te gabas dos teus pais sendo tu tão bonita – pais…são o meu orgulho, a minha força e os meus anjos d’aguarda. Custava-me pensar neles…falar deles a alguém. Eu amo-os, mas ter tão poucas memórias deles custa imenso.
Olhei de novo para a fotografia que tinha nas mãos…queria ter uma assim. Igualzinha. Eu. Os meus pais. E uma sobrinha. Tinha um irmão ou irmã. Tinha os meus pais.
Mas, na realidade, eles foram-me retirados muito cedo.
- Psiu… - o Sergio estalou os dedos junto dos meus olhos…que, com o susto, fecharam-se – ainda cá estás?
- Desculpa…dizias algo?
- Estava a perguntar-te pelos teus pais…mas estás assim desde que falei neles.
Ficamos os dois a olhar um para o outro. Ele esperava…algo de mim. E eu…queria dizer-lhe.
- Os meus pais…eles morreram quando eu tinha 4 anos – só as pessoas que estavam mais perto de mim é que o sabiam…eu não me sentia à vontade para falar deste assunto. Sentia-me desamparada. Sem um apoio. Frágil. Como se fosse um vidro estilhaçado quase a partir.
- Lo siento – ele chegou-se para mais perto de mim, colocando as suas mãos por dentro do meu casado, no fundo das costas.
- Não faz mal…eu não costumo falar neste assunto. Mas…sinto-me à vontade para falar contigo.
- E podes estar…no que precisares.
- Obrigada – dei-lhe um abraço. As mãos dele percorriam as minhas costas e aconchegaram-me, como se fosse uma capa protectora. Senti-me protegida e acarinhada…o que já não acontecia desde que tinha ido à minha terra natal.
- Queres falar, um pouco, comigo? – Perguntou olhando-me.
- Sim.
- Vamos até à sala – ele deu espaço para que eu descesse da secretária e fomos até à sala. Sentamo-nos frente a frente no sofá. Bem perto um do outro.
- Quando eu tinha 4 anos…ainda morávamos na minha terra natal. Uma casinha daquelas mesmo no género de férias. Junto da praia…foi no verão. Estava muito calor e os meus pais sempre tiveram muito cuidado com os fogos por estarmos também perto de uma zona florestal… - recordava aquele dia como se tivesse sido há minutos – houve um incêndio…e no combate às chamas…para não chegarem a nossa casa…o meu pai…e a minha mãe tentaram fazer de tudo para proteger a casa. E a mim. Eles acabaram por inalar muito fumo…sentiram-se mal…e…acabaram por ser domados pelas chamas.
As lágrimas escorriam-me pela cara. As imagens pela cabeça. E a dor pelo peito. Foi um reviver de sentimentos…dolorosos. Mas, ao mesmo tempo, falar com o Sergio sobre algo que me acompanha desde sempre, foi como se me libertasse por momentos.
- Lo siento… - reparei que ele estava perturbado com o que tinha acabado de contar. Puxou-me para junto dele e enxugou as minhas lágrimas que teimavam em cair – tus padres están mucho orgullosos de ti.
- Yo creo que sí – ficamos os dois a olhar um para o outro. Eu parei de chorar…não conseguia continuar a relembrar tudo o que tinha acabado de contar.
- Com quem é que passas-te a viver?
- Num orfanato – os olhos do Sergio ficaram mais esbugalhados que qualquer uns que já tinha visto, a quem já tinha contado a história – a minha família não conseguiu ficar comigo…entregaram-me para um orfanato e nunca mais me foram buscar. Até que fiz os 18 anos e sai. Comecei a minha vida do zero. Sozinha. Mas sobrevivi e estou hoje a fazer aquilo que mais gosto.
- Não queria que te lembrasses de coisas…que te deixam assim.
- Não tem mal. Pela primeira vez senti-me bem a dize-lo a uma pessoa. Costumava ser pior…acredita.
- Fico contente por saber…mas…tens uma história…
- É a minha…como tu tens a tua. Apenas tenho os dois anjos d’aguarda longe. Tu tem-los perto…aproveita-os ao máximo. Sei que o fazes.
- Acho que depois desta nossa conversa ainda lhes dou mais valor.
- Fazes muito bem. Os nossos pais merecem tudo do melhor que nós lhes possamos dar.
- Entendo agora como consegues ser assim.
- Assim como?
- Determinada, esforçada, trabalhadora…és forte. Sei que és.
- Sergio… - as palavras saíram-lhe da boca…tão fortes. Tão…genuínas. Senti-me bem…aconchegada.
- Vi isso no teu olhar…quando me entrevistas-te. Vejo isso…nos teus lábios quando falas. No teu corpo quando te moves. És, sem dúvida, uma pessoa genuína e segura.
- Não sou…tenho os meus momentos de fraqueza. Eu sou fraca, Sergio… - consigo falar com ele, coisas que penso e tenho medo de pensar – sou insegura, tenho medo de todos, não me consigo apaixonar por ninguém…tenho medo que saibam da minha história de vida e se aproximem por pena.
- Não digas essas parvoíces.
- É o que sinto, Sergio…sentia…fizeste-me sentir coisas que ainda não tinha sentido. Sinto-me viva…sem medo de estar contigo. Segui os meus impulsos e sinto-me bem. Sinto-me completa…queria imenso…contar contigo. Sempre. És especial…e ter um amigo como tu…é pedir muito.
- Não tens de o pedir…e não é nada comparado com aquilo que mereces. Terás sempre o meu ombro para te amparar.
- Obrigada – abracei-o…com força. Assim como ele o fez. Precisava de carinho, de mimo. Sempre precisei…
O Sergio olhou-me…com os seus olhos perfeitos e beijou-me. Sentia que precisava daquilo…dos lábios dele…e dele. Acho que nunca tinha tido a sorte de ter a peça do puzzle da minha vida que faltava como tinha agora. Tinha-o a ele.

Passamos o resto da tarde…a…falar. Conhecemo-nos mais um pouco. O Sergio era a pessoa mais espectacular que tinha aparecido na minha vida. É um ser humano perfeito…duvido até que consiga ser humano.
Infelizmente…estava na hora de voltar para Lisboa.
Tinha avião daqui a uma hora. E tinha de me despachar porque…quis ficar com o Sergio até ao último minuto possível.
- Vais ligando? – Perguntou-me.
- Vamos!
- Sim – fomos até à porta de casa do Sergio…lá fora já estava o táxi que me ia levar para o aeroporto.
Aproximei-me dele, passei as minhas mãos pelo seu corpo…a necessidade de o tocar era demais e…não queria ter de deixar de o ver…não agora…não no momento em que começava a ficar mais próxima dele.
Beijamo-nos sem pressa alguma…como as mãos dele passeavam entre as minhas costas e pescoço, as minhas fixaram-se no pescoço dele.
Terminamos aquele momento…eu, pelo menos, fiquei com a sensação de querer mais…e querer sempre. O Sergio olhava-me, com a sua testa encostada à minha.
- Vens visitar-me? – Inquiriu ele, deixando as suas mãos caírem pela minha cintura.
- Vou tentar vir…sim.
- Prometes?
- Prometo.
- Sei que era suposto ser um fim de semana…mas quero-te mais dias comigo.
- E eu quero muitos mais.
Demos um último beijo. Uma última aproximação e um último suspiro em conjunto.
Saí de casa do Sergio e entrei no táxi.

A viagem para Lisboa foi desesperante…turbulência, demorada e…sem o Sergio à espera no destino. Eu não sei…mas a presença dele nestes dois dias parecia ser necessitada para o resto…da minha vida.
Não me poderia estar a apaixonar…não por uma pessoa com o historial do Sergio. Mas queria…e muito.
Cheguei a minha casa eram cerca das 19:30h. Como tínhamos combinado, mandei-lhe uma mensagem:

“Cheguei a casa…queria-te aqui. Acho que te vou visitar muito antes do que imaginas, ou que eu imaginava. Está tudo bem. Beijos. Ana M.”

Coloquei o telemóvel em cima da mesa de centro da sala e fui desfazer a mala da viagem.
Depois de ter tudo arrumado, voltei à sala e peguei no meu telemóvel. Tinha uma mensagem do Sergio e outra…do meu chefe…trabalho ao Domingo?
Li primeiro a do Sergio…para ganhar coragem para ler a do meu chefe.

“Princesita, ainda bem que está tudo bem. A minha casa ainda mantém o teu cheiro por uns dias…mas vai acabar depressa, por isso, a tua presença aqui também começa a ser necessitada. Beijos. O teu Sergio.”

Borboletas no estômago? Sorrisos parvos? Ana Filipa…Ana Filipa.
Ainda, antes de ler o que o meu chefe queria, respondi-lhe:

“A minha roupa cheira a ti…mas se não a lavar vai-se decompor…tens mais sorte que eu”

“Desliguei” do Sergio, e li, finalmente, a mensagem do meu chefe.

“Espero que saibas o que andas a fazer…e que te seja útil para o trabalho. Espero por ti numa reunião amanhã, no meu escritório, às 9:00h.”

Fiquei completamente à nora sem saber o que ele quereria dizer com aquilo…what?
Liguei a televisão…esperando matar o tempo para ir dormir.

«I came here tonight to get shit out of my mind
I'm gonna take what I find (Oh oh, yeah)
So open the box, don't need no key I'm unlocked
And I won't tell you to stop (Oh oh, yeah)»

O meu telemóvel tocou. Era o Sergio, por isso apressei-me a atender.
- Olá – disse-lhe assim que atendi.
- Estás bem?
- Sim.
- Acho que precisas de saber uma coisa antes de ires trabalhar amanha…
- Que se passa?
Baixei o som do televisor…a voz do Sergio estava séria…o assunto deveria ser, também ele, sério.

7 comentários:

  1. Ai ai ai! Quero tanto ler o próximo!
    Adorei! Estou a amar isto! Até a mim ele me consquistou!
    Próximo, sim?
    Beijinhos

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  2. Buenas!! (é a 2ª vez que escrevo este comentário xD)

    1. É por capítulos destes, emoções destas, palavras destas, sentimentos destes que NUNCA poderás pensar em abandonar esta história!

    2. A história de vida da Ana surpreendeu-me! Não estava nada à espera que já não tivesse pais e muito menos que os tivesse perdido de forma tão trágico. Uma situação com 4 anos e ela recordá-la tão bem, deve ter sido de facto traumatizante e (infelizmente) inesquecível. E depois ter passado anos e anos num orfanato, provavelmente sentindo-se abandonada e rejeitada pela família deve ter sido horrível. O sentimento de estar sozinha, de ninguém gostar dela, deve tê-la assombrado tantas vezes. Acho que esta história só a valoriza mais enquanto mulher determinada e forte que aparenta ser.

    3. Oh o fim de semana acabou :( Até eu tenho pena por eles! Mereciam nem que fossem mais uma horitas! Estava a ser tão fofito o fds. E se começou por sexo, acho que já não acabou da mesma maneira! Acho que algo muito maior que atração ou desejo pode ter-se despoletado nestes dois dias!

    4. Quanto ao telefonema do Sergio e a mensagem do "boss", ou muito me engano ou momentos carinhosos foram captados pela imprensa espanhola. Hum...esperar para ver!

    Venha daí o proximo!!

    Besito
    Ana

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  3. I need more! <3
    Lindo , lindo , lindo ;)
    Espetacular :)
    Fico á espera

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  4. quero muito o próximo *.*
    pf pf pf pf pf , sê fofa e publica rápido (:
    só para que saibas amo tudo isto que escrever, ihih ((: *

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  5. Olá :)
    A sobrinha do Sérgio tem um nome muito giro xd (só estou a ser convencida)

    Fiquei MUITO contente por este fim-de-semana se ter tornado em algo maior que simples sexo :p
    Aposto que vai surgir um grande amor ♥♥

    Aquela chamada do Sérgio transpira a revistas com coisas sobre eles por todo o lado.
    Mas se assim for, o chefe dela é mesmo interesseiro.
    Ainda vai arranjar problemas :(

    Próximo :p ??

    Beijinhos
    Daniela^^

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  6. Adorei!
    Quero o próximo!
    Bjokinhas
    Mariaa

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